Pastor de Shetland o que fazer para evitar que ele tente “pastorear” crianças — e por que isso não é apenas brincadeira
Pastor de Shetland o que fazer para evitar que ele tente “pastorear” crianças — e por que isso não é apenas brincadeira

Ele é pequeno, encantador, extremamente inteligente e tem um instinto que pouca gente percebe até ser tarde demais. O Pastor de Shetland, apesar do porte compacto e da aparência dócil, é um cão de trabalho por natureza — e isso significa que ele carrega no DNA o impulso de controlar movimentos ao redor, especialmente de crianças pequenas. Se você já viu esse cão correr em círculos ao redor dos pequenos ou tentar “guiá-los” com toques do focinho e até mordidinhas suaves, saiba: ele não está brincando, está pastoreando.

Pastor de Shetland foi criado para organizar, não para brincar

O comportamento de “pastoreio” não é uma desobediência. O Pastor de Shetland tem origem em ilhas frias da Escócia, onde era usado para controlar rebanhos em terrenos acidentados. Mesmo longe das fazendas, ele mantém esse instinto ativo — e busca algo para gerenciar.

Quando uma criança corre, pula ou se afasta demais, o cão pode interpretar isso como “desorganização do rebanho” e tenta corrigir a situação. Isso pode incluir latidos insistentes, giros rápidos em torno da criança ou toques com o focinho e as patas. Em casos mais avançados, ele pode até tentar beliscar os tornozelos para guiar o “filhote” de volta ao grupo.

É um comportamento natural, mas que precisa ser redirecionado para evitar sustos, traumas e interpretações erradas.

Quando o instinto vira problema: ansiedade, excesso de controle e estresse infantil

O “pastoreio” pode parecer engraçado no início, mas se não for trabalhado, tende a se intensificar. O Pastor de Shetland começa a se sentir responsável por tudo e todos, o que gera sobrecarga emocional para o cão — e desconforto para as crianças.

Crianças pequenas podem se assustar com os movimentos rápidos, os latidos ou os toques inesperados. E se a família não intervir, o cão entende que aquela conduta está sendo validada. O resultado? Ele repete o comportamento com mais frequência e intensidade.

Além disso, o excesso de estímulo pode deixar o cão ansioso, alerta o tempo todo e até agressivo se for impedido de “organizar o ambiente” como gostaria.

O que fazer para interromper o comportamento de pastoreio em casa

A primeira medida é reconhecer que o comportamento é instintivo, não maldoso. A punição direta pode gerar frustração e mais ansiedade. Em vez disso, o caminho certo é redirecionar a energia do cão para outras atividades.

Brinquedos de estímulo mental, treinos de obediência com comandos claros e caminhadas longas são ótimos aliados. Também é fundamental estabelecer limites consistentes: o cão precisa entender que crianças não são parte do rebanho e que a aproximação excessiva não será recompensada.

Quando houver interação entre cão e criança, supervisione e interrompa comportamentos de pastoreio de forma calma e firme. Use comandos como “não” ou “fica”, e recompense quando ele obedecer e se afastar.

Socialização precoce e reforço positivo são a chave para evitar o problema

Se o Pastor de Shetland for filhote, o ideal é já iniciar a socialização com crianças e adultos em diferentes contextos. Assim, ele aprende que humanos têm seu próprio ritmo e que ele não precisa controlar tudo o tempo todo.

O reforço positivo — como petiscos ou carinho quando ele permanece calmo diante do movimento de uma criança — é a melhor maneira de ensinar o comportamento desejado.

Caso o cão já esteja habituado a pastorear, pode ser necessário o acompanhamento de um adestrador especializado em raças de trabalho. O profissional pode orientar a família e criar estratégias específicas para cada caso.

Um cão incrível — desde que guiado com clareza e rotina

O Pastor de Shetland é uma raça admirável, cheia de energia, inteligência e sensibilidade. Quando bem guiado, ele se torna um companheiro atento, obediente e protetor. Mas como todo cão de trabalho, ele precisa de direção clara, tarefas e limites.

Ao transformar o instinto de pastoreio em atividades seguras e estruturadas, você não apenas protege as crianças, como oferece ao cão o equilíbrio emocional que ele precisa para viver com bem-estar.

Pastoreio pode surgir mesmo em cães criados sem rebanhos

Mesmo que o Pastor de Shetland nunca tenha visto uma ovelha na vida, o instinto de controle continua presente — e pode ser ativado por simples movimentos bruscos, correria ou sons altos. Isso explica por que até cães criados em apartamentos ou longe de áreas rurais podem desenvolver comportamentos típicos de pastoreio, especialmente em festas infantis, parques ou durante caminhadas. É como um reflexo herdado, pronto para se manifestar quando o ambiente “ativa” esse comportamento. Por isso, antecipar essas situações e agir preventivamente é tão importante quanto corrigi-las depois.