Oferecer petiscos em excesso altera o comportamento do Shih-tzu sem o tutor perceber
Oferecer petiscos em excesso altera o comportamento do Shih-tzu sem o tutor perceber

O que começa com um gesto de carinho pode se transformar, sem que ninguém perceba, em um problema silencioso de comportamento. Muitos tutores de Shih-tzu oferecem petiscos com a melhor das intenções — como recompensa, agrado ou até forma de compensar ausências. Mas a repetição dessa prática esconde uma armadilha: o excesso de petiscos altera o equilíbrio emocional e alimentar do cão, modificando padrões de comportamento que passam despercebidos no dia a dia.

Shih-tzu muda aos poucos quando há estímulo alimentar em excesso

Essa raça é famosa pela doçura, companheirismo e sensibilidade. Justamente por isso, o Shih-tzu é altamente responsivo a estímulos — especialmente os gustativos. Com o tempo, ele começa a associar petiscos a emoções específicas e, quando oferecidos em excesso, esses pequenos agrados passam a interferir diretamente no modo como ele se comunica, reage e até obedece.

E o mais curioso é que os primeiros sinais dessa mudança são sutis demais para serem notados de imediato.

1. Perda de interesse pela ração

O primeiro comportamento que tende a mudar é o apetite natural. O Shih-tzu começa a rejeitar a ração — ou comer apenas se os petiscos forem oferecidos junto. O tutor interpreta como “enjoou da ração”, mas, na verdade, o cão está condicionando a comida ao sabor mais intenso e palatável dos agrados.

Esse padrão alimenta um ciclo perigoso: o tutor se preocupa com a falta de apetite, oferece ainda mais petiscos e o cão passa a exigir ainda mais estímulo para comer.

2. Ansiedade por recompensas

O Shih-tzu, quando recebe petiscos em excesso, passa a esperar esse “prêmio” em todas as interações. O que era uma ferramenta de adestramento vira um hábito viciante. E, quando não recebe o que espera, ele pode demonstrar irritação, inquietação ou frustração — sinais claros de ansiedade.

Alguns chegam a latir de forma insistente, seguir o tutor pela casa ou recusar interações simples se não forem acompanhadas de uma guloseima.

3. Dificuldade em obedecer comandos sem reforço

Uma consequência direta do uso frequente de petiscos é a perda da obediência espontânea. O Shih-tzu passa a responder apenas quando há promessa de recompensa. Isso enfraquece a conexão emocional entre tutor e cão e transforma a relação em uma troca de “serviços”.

Com o tempo, o animal se torna seletivo, obedece apenas em situações específicas e começa a testar limites com mais frequência.

Petisco em excesso desequilibra o emocional e o físico

Além do impacto comportamental, o exagero nos petiscos pode comprometer a saúde física do Shih-tzu. Por ser uma raça de porte pequeno e metabolismo sensível, qualquer desequilíbrio calórico resulta em sobrepeso, lentidão, problemas digestivos e até alterações hormonais.

Mas o ponto mais crítico é a associação emocional que se cria: o cão passa a vincular momentos de afeto exclusivamente ao ato de comer. Isso fragiliza a construção de vínculos mais profundos e pode gerar comportamentos compulsivos.

4. Mudanças no sono e nos horários

O Shih-tzu que consome muitos petiscos durante o dia tende a perder o ritmo de alimentação regular, o que afeta os horários de sono, os níveis de energia e até o humor. Ele pode se tornar mais agitado à noite ou ter episódios de letargia após comer, confundindo o tutor sobre seu estado de saúde geral.

5. Aumento da possessividade

Outro efeito colateral é o surgimento de comportamentos possessivos. O cão começa a proteger os petiscos, o pote ou até o local onde costuma recebê-los. Rosnados, bloqueios e sinais de tensão ao redor de alimentos são reflexos claros de um vínculo excessivo e desregulado com a comida.

Como corrigir o excesso sem cortar o vínculo

A boa notícia é que é totalmente possível reverter esses comportamentos com pequenas mudanças na rotina. O segredo está na reeducação gradual:

  • Reduza a frequência dos petiscos, mas mantenha o carinho, a brincadeira e o contato como formas de recompensa;
  • Ofereça agrados apenas em momentos estratégicos, como durante o treinamento ou após uma atividade física;
  • Substitua parte dos petiscos por brinquedos interativos ou estímulos afetivos, como um passeio ou jogo de esconde-esconde;
  • Reforce o vínculo com comandos simples e recompensas não comestíveis, como elogios e toque físico.

Com constância e paciência, o Shih-tzu aprende a resgatar a alegria nas interações naturais — e a comida volta a ter o papel que deveria: nutrição e cuidado, não barganha emocional.