
Cultivar a planta da fortuna em casa vai além de uma crença popular ligada à prosperidade — é também uma ótima forma de manter um cantinho verde bonito, fácil de cuidar e cheio de significado. Mas o que pouca gente sabe é que, ao tentar fazer mudas da jade em casa, muitos acabam cometendo erros que fazem a planta apodrecer antes mesmo de criar raízes. Se você já tentou e falhou, talvez o problema esteja em um detalhe simples, mas decisivo: o tempo de cicatrização da estaca.
Como fazer mudas da planta da fortuna sem erros
A planta da fortuna (Crassula ovata), também conhecida como Jade ou árvore-do-dinheiro, é uma suculenta resistente, mas sensível em seus primeiros dias de propagação. Diferente de outras plantas, ela não deve ser colocada na terra logo após o corte. O segredo está em respeitar o tempo de “cura” do galho cortado, algo que muitos ignoram por pressa ou falta de orientação.
Quando se corta um galho da jade para fazer muda, a área cortada precisa secar completamente antes de ser plantada. Isso pode levar de dois a cinco dias, dependendo da umidade do ambiente. Se for plantada antes de formar essa película protetora, a haste absorve umidade em excesso e apodrece rapidamente. Esse é um erro comum, especialmente entre iniciantes que moram em regiões úmidas ou não têm o hábito de observar o clima antes de replantar.
A conexão entre clima e sucesso na propagação
Em muitas cidades do interior do Brasil, onde o cultivo de suculentas se popularizou nos últimos anos, a umidade do ar pode variar drasticamente entre as estações. Durante o verão, o excesso de chuva e a alta umidade tornam o ambiente desfavorável para a cicatrização da estaca, tornando essencial a escolha do local onde ela vai secar. Ambientes arejados, com boa circulação e protegidos da chuva são ideais.
Já no inverno seco, o risco se inverte: o corte pode desidratar demais e impedir a formação adequada de raízes. Nesses casos, borrifar levemente água nos primeiros dias pode ajudar — mas sempre com cautela. Essa sensibilidade mostra como pequenos ajustes de rotina, como escolher o momento certo do ano e adaptar o ambiente, aumentam as chances de sucesso.
O solo certo é mais importante do que parece
Outro fator decisivo é o tipo de solo escolhido. Muita gente utiliza terra de jardim comum, rica em matéria orgânica, achando que isso vai ajudar a planta a crescer mais rápido. No caso da jade, esse solo retém umidade demais e pode sufocar a muda.
O ideal é preparar uma mistura bem drenável: use três partes de areia grossa ou perlita para uma parte de terra comum. Esse tipo de solo evita o acúmulo de água e simula as condições naturais da jade, que é originária de regiões secas do sul da África. Vale lembrar que o vaso também deve ter boa drenagem, com furos generosos e, se possível, uma camada de pedrinhas no fundo.

Como cuidar da muda depois de enraizar
Depois que a muda estiver firmemente enraizada — o que pode levar de 2 a 4 semanas —, é hora de começar os cuidados regulares. Nesse estágio, a rega ainda deve ser moderada. Um erro comum é pensar que, por já ter raízes, ela precisa de água como uma planta adulta. Mas a jade continua sensível durante os primeiros meses.
Um bom teste é tocar o substrato com o dedo: se ainda estiver úmido, espere mais. Se estiver seco até a segunda falange do dedo, é hora de regar. A exposição ao sol também deve ser gradual — de preferência, luz indireta nas primeiras semanas e depois o aumento progressivo da luminosidade. Sol direto em excesso pode queimar as folhas novas, especialmente se a muda ainda estiver adaptando suas raízes.
Cultivar a jade pode mudar seu olhar sobre o tempo
Fazer mudas da planta da fortuna pode parecer um processo simples, mas ele ensina mais do que apenas técnicas de jardinagem. Ao esperar a estaca cicatrizar, ao ajustar o ambiente conforme o clima, ao regar com cautela e observar os sinais da planta, o jardineiro é convidado a desenvolver paciência, atenção e respeito pelo ritmo da natureza.
Essa prática cotidiana, silenciosa e cheia de pequenas vitórias, pode ser uma espécie de meditação ativa — algo raro no ritmo acelerado das cidades. Ao final, mais do que multiplicar uma planta, o que se colhe é um novo hábito: o de cuidar melhor, com mais presença e menos ansiedade.