
Pouca gente sabe, mas o lírio-da-paz não é apenas uma planta ornamental charmosa: ele foi citado pela própria NASA como uma das espécies com potencial de purificar o ar. Mas antes que você comece a espalhar vasos pela casa achando que está respirando melhor, vale o alerta: dois erros muito comuns na rotina de cultivo podem anular totalmente esse efeito benéfico. E o pior? Eles acontecem justamente nas casas mais bem-intencionadas, onde a planta é regada e cuidada com todo carinho — só que de forma equivocada.
Por que o lírio-da-paz é tão especial
O lírio-da-paz, também conhecido como Spathiphyllum, ficou famoso após integrar a lista da NASA de plantas com capacidade de filtrar poluentes do ar. Em ambientes fechados, ele pode reduzir compostos como benzeno, formaldeído e amônia — presentes em tintas, plásticos, móveis e produtos de limpeza. O estudo, porém, foi feito em condições controladas, o que pouca gente considera.
Na prática doméstica, esses efeitos só acontecem se a planta estiver saudável e em constante fotossíntese. E aí começam os problemas: quando mal posicionada ou cultivada de forma errada, o lírio-da-paz entra em modo de sobrevivência, deixando de realizar suas funções purificadoras.
Os 2 erros que anulam o benefício da planta
Falta de luz natural (mesmo sem sol direto)
Ao contrário do que muitos acreditam, o lírio-da-paz precisa de bastante luz indireta para funcionar como filtro de ar. É comum que ele seja colocado em banheiros escuros, corredores sem janelas ou salas com cortinas sempre fechadas. Nessas condições, a planta até sobrevive, mas não trabalha.
Sem luz suficiente, ela reduz drasticamente a fotossíntese, ficando com folhas opacas, flores escassas ou inexistentes e metabolismo lento. Isso significa menos absorção de toxinas e menos liberação de oxigênio — ou seja, perde o efeito pelo qual foi celebrada no estudo da NASA.
Rega excessiva que causa apodrecimento
Outro erro recorrente é exagerar na rega, achando que isso manterá a planta mais “ativa”. O solo encharcado, porém, sufoca as raízes, favorece fungos e impede que a planta respire. O resultado? Um lírio que parece bonito por fora, mas que está definhando por dentro.
Quando as raízes começam a apodrecer, a planta entra em estado de alerta. Ela paralisa parte do seu funcionamento, reduz o crescimento e passa a priorizar apenas a sobrevivência — abrindo mão, claro, da purificação do ar.
O erro está na rotina de muitos brasileiros
Não é raro encontrar o lírio-da-paz em apartamentos pequenos, consultórios ou recepções de cidades do interior, onde a ventilação é pouca e a iluminação vem de lâmpadas fluorescentes. Como essas plantas exigem poucos cuidados visíveis, acabam sendo regadas por funcionários sem conhecimento técnico, apenas “para manter bonito”.
Mas aí entra o paradoxo: o ambiente onde o lírio seria mais útil — salas fechadas com ar seco e baixa circulação — é justamente onde ele tem menos chance de cumprir sua função. É o tipo de contradição que passa despercebida por anos, até que alguém nota que “a planta não cresce” ou “nunca mais deu flor”.
Como potencializar os efeitos do lírio-da-paz sem exageros
O primeiro passo é escolher bem o local onde a planta vai ficar. Ambientes com luz difusa, como perto de janelas com cortinas finas, são ideais. Evite lugares com luz direta e intensa, que pode queimar as folhas, mas também fuja dos cantos escuros — nesses casos, ele apenas ocupa espaço sem entregar o benefício desejado.
A rega deve ser feita apenas quando a camada superior do solo estiver seca ao toque. Nada de criar uma agenda fixa de regas ou confiar em borrifadores automáticos. O lírio gosta de umidade, mas detesta excesso. Vasos com furos e boa drenagem ajudam a manter o equilíbrio.
Outro detalhe que muita gente ignora é a limpeza das folhas. Poeira acumulada bloqueia os estômatos (poros das folhas) e atrapalha tanto a fotossíntese quanto a respiração da planta. Uma simples passada de pano úmido a cada duas semanas já é suficiente para manter tudo funcionando.
Quando o cuidado vira hábito e não obrigação
A beleza do lírio-da-paz está justamente no equilíbrio entre estética e função. Ele não é só um adorno verde, mas um aliado silencioso dentro de casa. No entanto, isso exige atenção e pequenas mudanças na rotina — como abrir a cortina de manhã, observar o solo com as mãos, e não com a agenda, e entender que até o ambiente mais bonito pode estar sufocando sua planta.
Rever esses detalhes é também rever a forma como cuidamos da nossa casa. Nem sempre o que parece cuidado é, de fato, funcional. O lírio-da-paz continua sendo uma escolha acertada — desde que os cuidados acompanhem sua fama.