
É comum ouvir que o alecrim é uma planta “fácil de cuidar”, quase indestrutível. Mas a verdade é que, justamente por acreditar demais nessa fama de resistência, muita gente compromete o crescimento do alecrim em casa. A palavra-chave está na negligência sutil: menos rega do que o necessário, excesso de exposição ao sol ou poda feita de forma displicente. Em vez de crescer vigoroso, o alecrim vai ficando lenhoso, seco nas pontas e com aroma fraco — sinais de que algo está errado. Especialmente em regiões do interior, onde o clima costuma ser mais seco e as rotinas mais aceleradas, o erro passa despercebido até que a planta pareça “desanimada”.
Alecrim sofre com excesso de sol e falta de atenção
Por mais que o alecrim seja uma planta de origem mediterrânea e tolerante ao calor, ele não é imune ao estresse térmico — especialmente em vasos. A exposição contínua ao sol forte, sem uma rega equilibrada, leva à desidratação das raízes. E ao contrário do que muita gente imagina, o solo para alecrim não deve ser seco o tempo todo. O ideal é que ele tenha boa drenagem, mas ainda assim mantenha uma leve umidade, principalmente nos dias mais quentes.
Outro detalhe que costuma passar batido é a localização do vaso. Em muitos lares do interior, o alecrim é deixado na varanda, próximo a muros ou superfícies de cimento que refletem ainda mais calor. Esse microclima esquenta demais as raízes, dificultando o desenvolvimento da planta. O resultado é um arbusto com galhos ressecados e folhas menos aromáticas — bem diferente daquele alecrim cheio e perfumado que se espera.
A poda feita de qualquer jeito prejudica o crescimento
Há quem pense que cortar uns galhinhos de alecrim de vez em quando não tem problema, mas a forma como essa poda é feita impacta diretamente na saúde da planta. Cortar apenas as pontas repetidamente, sem planejamento, estimula o crescimento desordenado e enfraquece a base. Com o tempo, o alecrim começa a abrir “clareiras” no meio da moita, ficando ralo e perdendo vigor.
O ideal é fazer podas mais estruturadas, removendo galhos velhos e incentivando o nascimento de novos brotos a partir da base. Essa técnica mantém o arbusto denso e com renovação constante. É algo simples, mas que muitos ignoram por achar que o alecrim “se vira sozinho”. Justamente essa ideia de que ele aguenta tudo é o que leva tanta gente a ter uma planta feia, lenhosa e sem vida.
Solo e rega: os detalhes esquecidos que fazem diferença
Outro ponto de atenção no cultivo do alecrim é o tipo de solo. Em regiões do interior, é comum reaproveitar terra de jardim ou usar substratos pesados, que acumulam água. Esse excesso de retenção pode levar ao apodrecimento das raízes, mesmo em plantas consideradas rústicas como o alecrim. A solução está em usar uma mistura leve, com areia ou perlita, que permita boa aeração e escoamento da água.
A frequência de rega também deve ser ajustada conforme o clima. Em épocas secas, o alecrim precisa de regas mais frequentes do que se imagina. A dica é enfiar o dedo na terra até a segunda falange: se estiver seca, é hora de regar. Deixar a planta sofrer sede repetidamente pode até não matá-la de imediato, mas compromete sua produção de óleos essenciais — ou seja, ela continua viva, mas sem o aroma que a torna especial.
Uma planta resistente, mas não autossuficiente
O mito de que o alecrim “não precisa de cuidados” se espalhou tanto que virou um problema. Assim como acontece com outras espécies consideradas rústicas, o risco está na negligência disfarçada de confiança. E, com o tempo, a planta mostra os sinais: galhos quebradiços, aroma fraco, folhas menores e um visual mais seco.
Em muitas casas do interior, o alecrim acaba sendo tratado como peça decorativa de fundo, quando poderia ser uma erva vibrante, com potencial culinário e até energético. O cultivo consciente não exige muito: um bom substrato, regas equilibradas, poda estratégica e atenção ao ambiente. São atitudes simples que fazem toda a diferença.
Repensar o jeito de cuidar do alecrim é mais do que uma dica de jardinagem. É um convite à atenção. Em tempos em que tudo precisa ser prático e rápido, desacelerar para observar uma planta pode ensinar mais do que se imagina — inclusive sobre a nossa própria pressa. Afinal, até o mais resistente precisa de cuidado.