Deixar um ambiente inutilizável por conta de acúmulo de itens é um dos sinais do transtorno (Foto: Reprodução)
Deixar um ambiente inutilizável por conta de acúmulo de itens é um dos sinais do transtorno (Foto: Reprodução)

Muitas pessoas têm o hábito de acumular itens pela casa, seja por valor sentimental ou alguma utilidade, como roupas guardadas para a próxima estação, lembranças de viagens ou ferramentas que ainda podem servir. Esse comportamento, quando controlado, não representa um problema. O desafio surge quando o acúmulo deixa de ser funcional, interfere no uso dos espaços e passa a causar sofrimento emocional. 

Nesses casos, pode haver mais do que simples desorganização, pode ser um sinal de transtorno de acumulação, uma condição de saúde mental reconhecida por especialistas. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) da Associação Psiquiátrica Americana, o transtorno de acumulação conhecido em inglês como ‘hoarding disorder’ é caracterizado pela dificuldade persistente de descartar ou se desfazer de bens, independentemente do seu valor real. 

Essa dificuldade leva à acumulação de objetos de forma tão intensa que os ambientes ficam “congestionados” a ponto de comprometer a função normal dos espaços dentro da casa. Por exemplo, corredores, cozinha ou sala podem ser tomados por pilhas de itens, impedindo que sejam usados para as atividades do dia a dia.

O acúmulo relacionado a esse transtorno não significa apenas “muita bagunça”. Diferentemente de colecionadores, que geralmente organizam, limpam e catalogam suas peças com um propósito claro, pessoas com transtorno de acumulação guardam objetos de forma desorganizada, apresentam grande angústia ou ansiedade diante da ideia de descartar itens e frequentemente sentem que precisam manter tudo aquilo para “evitar perda” ou por medo de que aquilo possa ser útil no futuro, mesmo que não haja plano concreto de uso.

Estima-se que entre 2% e 6% da população adulta pode ter esse transtorno em vários graus de severidade, com sintomas que geralmente começam na adolescência e podem piorar ao longo da vida se não houver intervenção. O transtorno também está associado a outras condições de saúde mental, como transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade ou depressão, e pode ser intensificado por eventos de vida estressantes, como perdas significativas.

Saiba quando o acúmulo pode ser um alerta para sua saúde mental

Um sinal de alerta importante é quando a presença de objetos acumulados começa a causar dificuldade para utilizar os cômodos da casa, risco à segurança e isolamento social. O excesso de itens pode representar risco de quedas, dificultar a higiene adequada do ambiente e até gerar conflitos com familiares ou vizinhos. Nessas situações, a pessoa pode evitar receber visitas em casa por sentir vergonha ou medo do julgamento dos outros.

Especialistas recomendam que, quando o acúmulo começa a comprometer a qualidade de vida, é importante procurar ajuda de profissionais de saúde mental. O tratamento pode incluir psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a pessoa a desenvolver estratégias para enfrentar a ansiedade ligada ao descarte e reorganizar o ambiente de forma gradual.

Ter um ambiente mais organizado não é apenas uma questão de estética ou funcionalidade; pode ser um passo importante para reduzir a angústia emocional e melhorar o convívio social. Aprender a identificar quando o acúmulo ultrapassa o nível do “apego normal” e passa a representar um transtorno ajuda a desmistificar o problema e direcionar quem precisa de apoio para os cuidados adequados.