
Os hábitos alimentares que se formam na adolescência tendem a acompanhar as pessoas por muitos anos e, segundo especialistas, quanto mais cedo esses padrões se consolidam, mais difícil se torna mudá-los na vida adulta. Dados internacionais e nacionais mostram que, apesar de pequenos avanços, a alimentação dos adolescentes ainda está longe do ideal, o que acende um alerta para a saúde futura dessa geração.
Indicadores recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que, nos países analisados, a maioria dos adolescentes consome menos frutas e vegetais do que o recomendado. Entre 2014 e 2022, houve uma redução modesta na proporção de jovens que não comem vegetais diariamente de 68% para 64%. Mesmo assim, em mais da metade dos países da OCDE, dois em cada três adolescentes ainda não incluem vegetais na rotina diária.
Esses números são importantes porque a adolescência é um período decisivo para a formação de preferências alimentares. Estudos em saúde pública indicam que padrões de consumo estabelecidos nessa fase, como baixo consumo de alimentos naturais e alta ingestão de produtos ultraprocessados, tendem a persistir ao longo da vida, aumentando o risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
No Brasil, o cenário segue a mesma tendência. Pesquisas com adolescentes brasileiros mostram que menos de 30% consomem vegetais de forma regular, enquanto uma parcela significativa relata consumo frequente de refrigerantes, doces e alimentos industrializados. Um estudo publicado na base PubMed Central aponta que apenas cerca de 23% dos adolescentes atingem a recomendação diária de frutas e vegetais, o que reforça a dificuldade de construir hábitos saudáveis desde cedo.
Embora os dados também indiquem avanços, como a redução no consumo diário de bebidas açucaradas em alguns países, especialistas alertam que essas melhorias ainda são insuficientes para reverter um padrão alimentar que se consolida ao longo da juventude. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dietas inadequadas na adolescência impactam não apenas o crescimento e o desenvolvimento, mas influenciam escolhas alimentares que tendem a se repetir na vida adulta.
Vale ressaltar que os dados também mostram que fatores sociais e econômicos influenciam diretamente essas escolhas. Relatórios da OMS indicam que adolescentes de famílias com menor renda enfrentam mais barreiras para acessar alimentos saudáveis, o que contribui para desigualdades alimentares e de saúde que se prolongam ao longo da vida.
Saiba como mudar essa perspectiva e criar hábitos mais saudáveis
Mudar esse cenário exige estratégias que façam sentido para a realidade dos adolescentes. Guias internacionais recomendam a introdução gradual de vegetais nas refeições do dia a dia, a oferta de alimentos frescos de forma acessível e o envolvimento dos jovens no preparo das refeições. A exposição frequente, sem imposições rígidas, aumenta a chance de aceitação e ajuda a criar uma relação mais positiva com a comida.
Ao revelar como os hábitos alimentares se formam e se mantêm desde a adolescência, os levantamentos da OCDE reforçam um ponto central: investir em alimentação saudável nessa fase não é apenas uma escolha imediata, mas uma estratégia de longo prazo. Quanto mais cedo esses hábitos são construídos, maiores são as chances de uma vida adulta mais saudável e menor a necessidade de tentar mudar padrões já enraizados depois.