
A população roraimense agradece a reabertura de um importante ponto de lazer e recreação, a Praça Interativa Renato Hadad, reinaugurado no fim de semana que se passou. Conhecido popularmente como “Praça das Fontes”, esse espaço público fica ao lado do Ginásio Totozão, de frente para o Complexo Esportivo Ayrton Senna, o principal local de esporte, cultura e lazer da população boa-vistense.
A devolução da praça à população é só mais um capítulo de um local que se tornou um marco do desleixo com um bem público de uso coletivo. Aos fatos: reinaugurada com festa a menos de cinco dias eleições de outubro de 2022, a Praça Interativa não durou muito tempo aberta e voltou a ser fechada logo depois que o Governo do Estado anunciou ter investido R$5 milhões em uma obra de revitalização do local.
Em 03 de julho de 2023, esta Coluna publicou o artigo “Praça das Fontes que consumiu R$5 milhões voltou a ser fechada para o público”. Antes disso, o local ficou abandonado por longos dez anos, sob o silêncio de todos. Ainda na primeira administração, o atual governo demorou quase quatro anos para reformar e reabrir o local. No entanto, por puro desleixe e incompetência, foi abandonado de novo depois de oito meses de reinaugurado.
Não por coincidência, a Praça Renato Hadad fica dentro do Parque Anauá, local que também foi alvo de pelo menos dois anúncios de revitalização pelo Governo do Estado desde 2021. A reforma iniciou no governo da administração anterior, cujas obras se arrastam até os dias atuais na segunda administração do atual governo, conforme artigo publicado no dia 11.06.2024, sob o título “Em meio a muitas cifras e promessas, Parque Anauá segue como símbolo do descaso”.
Fora as intermináveis cifras anunciadas para reformas no Parque Anauá, em dois anos de contrato o Governo de Roraima gastou R$43,3 milhões com uma empresa para realizar manutenção preventiva e corretiva de 32 espaços públicos, incluindo parques aquáticos, ginásios, campos de futebol e piscinas esportivas. No entanto, esses pontos de lazer, esporte e cultura estão abandonados, fechados para reformas que nunca terminaram e até mesmo leiloados.
Exemplo do descaso é o Parque Aquático do bairro Caçari, que está completamente sucateado, servindo hoje para acumular água, lixo e matagal que ajudam a proliferar mosquitos transmissores de doenças, além de já ter sido ocupado por sem-tetos ou abrigando desocupados. Não há nem como esconder, porque trata-se de uma quadra inteira numa área nobre da Capital.
O descaso no meio de uma área nobre soma-se à realidade dos parques localizados nos bairros periféricos: Caranã, Jardim Primavera e Asa Branca (este último nem existe mais), além do Parque Anauá (que virou sucata). Existem ainda os dos municípios do interior: Parque Aquático Teobaldo Pape, em Alto Alegre; Parque Aquático Ottomar Pinto, em Caracaraí; e Parque Aquático de São Luiz do Anauá.
Os parques aquáticos abriam aos feriados e fins de semana para a população dos bairros da Capital e do interior se refrescarem do calor ou participarem de atividades de lazer ou eventos culturais. Agora estão sendo consumidos pelo tempo ou já totalmente deteriorados devido ao completo abandono.
Os anos se passaram é ninguém deu uma explicação sobre onde todo esse recurso foi aplicado. Só para relembrar, em 2022, por meio da Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed), o governo assinou contrato com uma empresa para que ela realizasse serviços de manutenção nos espaços de lazer e desportivos, pelo valor de R$ 19,2 milhões.
Foi no dia 1º de abril de 2022 que o governo assinou o contrato com a empresa. No entanto, dois meses depois o governo decidiu leiloar o Parque Aquático do bairro Asa Branca com lance inicial de R$ 2,6 milhões. O tempo foi passando e as obras de manutenção e reforma não aconteceram ou ficaam paralisadas até hoje, sem que ninguém saiba o que realmente foi feito.
Para piorar o que já estava ruim, no início de 2023, quase um ano depois, o contrato foi renovado por igual valor do contrato original de 2022, totalizando R$38,4 milhões para seguir com os mesmos serviços. Como se não fosse suficiente, em dezembro do mesmo ano, a Seed publicou um aditivo ao contrato no valor de R$4,9 milhões. Em quase dois anos de contrato, foram destinados R$43,3 milhões.
Após esse giro de informações importantes para entender o contexto, chegamos novamente à Praça das Fontes do Ginásio Totozão, reinaugurada com festa a cinco dias das eleições de outubro de 2022, após passar 10 anos fechada, para depois ser fechada novamente oito meses até ser reinaugurada outra vez no sábado passado, dia 10, como se nada disso tivesse ocorrido. É preciso dizer mais?
*Colunista