
O ano de 2026 começou com a agenda oculta da elite mundial se cumprindo. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi rifado pelas grandes potências supostamente aliadas para que os Estados Unidos seguissem com seu projeto de poder para se tornar hegemônico na América Latina, enquanto a Rússia se consolida na Europa e a China mira a Ásia, de olho em Taiwan para se consolidar seu poder.
Não há nada fora de controle. É apenas o poder do mundo se movendo e se redesenhando em um grande acordo global. Todas as potências já sabiam que o presidente dos EUA, Donald Trump, iria determinar a prisão de Maduro naquela data e horário, cuja invasão foi feita por meio de uma incursão militar rápida, cirúrgica e sem qualquer reação por parte do Exército venezuelano.
Que ninguém se engane. O Brasil é a bola da vez, com o Estado de Roraima há tempos se tornando estratégico desde a grande invasão garimpeira à Terra Indígena Yanomami, em 2020, quando estava em curso pelo governo Bolsonaro um projeto de tentar legalizar o garimpo em terras indígenas na Amazônia para atender aos interesses de empresas multinacionais norte-americanas e canadenses. Fazia parte do grande plano nomear o então deputado federal Eduardo Bolsonaro como embaixador nos EUA, que acabou não ocorrendo.
Os EUA já sabiam que Roraima estava prestes a ser anunciado como novo marco histórico da mineração estratégica mundial, o que acabou se concretizando em 2025, quando o Município de Caracaraí foi identificado como detentor da maior concentração de terras raras já registrada no planeta, em uma área de 100 mil hectares. Terras raras são fundamentais para a tecnologia moderna, presentes em smartphones, computadores, televisores, carros elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e sistemas de defesa militar.
Não foi à toa que Trump agiu rápido para aplicar sansões comerciais contra o Brasil sob argumento de que seu aliado, o ex-presidente Bolsonaro, estaria sofrendo perseguições políticas, pois interessa aos EUA a volta dele ao poder como presidente para consolidar a estratégia entreguista montada lá atrás. E foi assim que ocorreu o exílio voluntário de Eduardo Bolsonaro aos EUA a fim de negociar as sanções em troca de anistia ao pai ex-presidente, algo que não vingou depois que Trump e o presidente Lula se entenderam.
Antes disso, Trump ainda tentou uma jogada sorrateira. Em maio de 2025, o governo dos EUA solicitou ao Brasil que classificasse as facções criminosas PCC e CV, as quais estão presentes em Roraima, como organizações terroristas, proposta negada pelas autoridades brasileiras sob argumento de que a legislação nacional não permite tal classificação para grupos cuja motivação principal é o lucro, e não ideológica ou religiosa.
Seria a grande jogada, pois reconhecer facções criminosas como grupos terroristas significaria que, no Brasil, existiriam terroristas e que o país não teria capacidade de combatê-los, tornando-se a senha para a comunidade internacional aliada dos norte-americanos declarar o Brasil como uma ameaça global, assim como fizeram com a Venezuela, cujo enredo culminou com a madrugada de sábado, dia 3.
Foi da mesma forma que os EUA invadiram e depuseram presidentes de países declarados narcoterroristas, levando o petróleo e as terras raras, como sempre ocorreu durante ocupações militares, golpes de Estado apoiados pela CIA, sanções econômicas e operações encobertas. De 1898 até 1994, os EUA intervieram para mudar governos 41 vezes mundo afora.
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Com a Venezuela invadida e controlada, o Estado de Roraima seria a porta de entrada para uma silenciosa e ainda invisível ação estratégica para transformar a Amazônia em uma “zona de segurança internacional”. A vizinha Guiana já está sob domínio dos EUA e do Reino Unido com a descoberta de petróleo, quando aquele país se transformou em um paraíso da ExxonMobil, sob a proteção do governo norte-americano e com reforço militar da Inglaterra.
A aliança estratégica permite um corredor pelo mar, com controle por terra em Essequibo (território este que já pertenceu ao Brasil, mas atualmente sob o domínio da Guiana, cuja posse era reivindicada pela Venezuela) e todo o arco setentrional que inclui as fronteiras de Roraima. Não pode ser esquecido o grande jogo de interesse em torno da Bacia da Foz do Amazonas, área que está no centro da discussão sobre a exploração de petróleo a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, região que possui manguezais, recifes e terras indígenas.
Portanto, o plano de internacionalizar a Amazônia a partir de Roraima nunca foi tão real. Os EUA nunca quiseram transformar a Venezuela em “novo Vietnã” na floresta amazônica, conforme acabou se confirmando (assunto este tratado no artigo “Da paranoia ao perigo real: como Roraima se tornou estratégico aos interesses dos EUA”, publicado nesta Coluna em 17.11.2025).
O resumo de tudo isso é que a elite mundial quer manter uma política imperialista de controle internacional sobre a Amazônia a fim de se apoderar das riquezas e ecossistemas estratégicos. E o argumento é de que o Brasil e outros países não conseguem mais proteger e cuidar da Amazônia. Essa é a lógica da movimentação dos EUA para se tornar hegemônica na América Latina e toda América do Sul. A Argentina, para não quebrar economicamente, já negociou sua soberania com os EUA, tornando-se quintal do Tio Sam.
Os brasileiros precisam estar atentos a todas essas movimentações. As eleições de 2026 serão decisivas para se concretizarem os planos da elite mundial, com o Brasil dentro da estratégia da nova hegemonia global que vem se desenhando desde 2024, cuja invasão da Venezuela foi o principal passo. Nunca interessou aos EUA se o povo venezuelano estava sendo oprimido ou não por uma ditadura. O petróleo e as riquezas minerais são os verdadeiros motivos, assim como já ocorreu com outros países invadidos e atacados.
Em Roraima, a elite política e econômica local não está preocupada com isso, muito menos com a Venezuela e o seu povo. Nem com a soberania brasileira. O que interessa a essa parcela da sociedade é o que ela pode ganhar financeiramente com o entreguismo e a exploração de todas as riquezas de um país, seja em qual mão estiver e de que forma for. As elites sempre estão alinhadas.
*Colunista
“As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal”