Apreensão de 103kg de ouro ilegal foi a maior registrada pela PRF em Roraima no ano passado (Foto: PRF)

Em tempo de pós-mentira, em que a verdade perdeu seu valor, sendo substituída por emoções e crenças pessoais, especialmente nas redes sociais, é importante detalhar a informação que surgiu sobre a atuação do Ministério Público Federal (MPF) que, por meio da Procuradoria da República em Roraima e do ofício na Amazônia Ocidental, começou uma fiscalização na atuação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Roraima.

Diante do grande contexto do combate ao garimpo ilegal,  tráfico de droga e crimes ambientais e transfronteiriços, especialmente ligados à Terra Indígena Yanomami e rotas de escoamento, é importante acompanhar as grandes apreensões e investigações principalmente envolvendo os chamados “peixe graúdos”, a fim de saber se realmente estão sendo cumpridos todos os trâmites até a elucidação dos crimes e a devida punição dos envolvidos.

É aí que entra o papel do MPF, que atua como fiscal da lei nesses processos, requerendo perícias, manifestações em ações penais e reiterando pedidos de condenação, a exemplo do caso do empresário flagrado pela PRF com 103 kg de ouro ilegal, avaliados em mais de R$ 54 milhões, ligado ao garimpo na Terra Yanomami. Sendo assim, são analisadas se as operações policiais seguem protocolos legais, se há indícios de “esquentamento” de minério ilegal, via licenças ambientais fraudulentas ou documentação falsa.

Também é verificado se o ouro tem características de garimpo ilegal, com presença de mercúrio, e se as ações contribuem para mitigar a crise humanitária e ambiental na região por meio de invasões, uso de mercúrio, desmatamento e impactos aos povos indígenas. Isso inclui avaliar se as apreensões em rodovias (BR-174 e BR-401) interrompem efetivamente as rotas de escoamento do ouro ilegal para a Venezuela e Guiana.

Não que haja dúvida em relação à atuação das instituições e dos policiais, pois inexistem quaisquer indícios públicos de suspeitas de irregularidades ou corrupção nas forças policiais federais. Ao contrário, as ações da PF e PRF em Roraima são reconhecidas pela população, destacadas como exitosas e integradas ao esforço governamental contra o crime organizado que se abateu sobre Roraima a partir do narcogarimpo em terras indígenas, cuja atividade criminosa passou a ser mais uma frente de atuação das facções brasileiras e venezuelanas.

O MPF exerce controle externo da atividade policial (PF e PRF), podendo instaurar procedimentos, expedir recomendações, participar de inquéritos policiais, requerer diligências ou até ajuizar ações quando há omissões, abusos ou necessidade de aprimoramento. No caso de Roraima, isso se intensifica devido à gravidade do garimpo ilegal na Amazônia Legal, com coordenação federal via Casa de Governo e Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano AMAS).

Esse acompanhamento é essencial diante do que ocorreu especialmente em 2025, quando foram realizadas grandes apreensões e investigações, com recordes de apreensões de ouro ilegal, a exemplo dos 103 kg pela PRF em agosto na BR-401, a maior da história da instituição, totalizando 164,7 kg pela PRF em Roraima, representando 78% do que foi apreendido em nível nacional pela corporação, além de outras quantidades de ouro apreendidas pela PF e forças integradas.

Por sua vez, as operações realizadas pela PF atingiram policiais militares do alto escalão, políticos com mandados e familiares de políticos com e se mandato, incluindo o atual governador e um casal de ex-governadores. Foram 20 operações somente em 2025 no Estado. E tudo isso precisa ser bem acompanhado pelo MPF de forma rotineira e preventiva, visando garantir transparência, controle institucional e resultados concretos na repressão a crimes de alta complexidade na fronteira norte.

É esse grande contexto que a opinião pública precisa focar em épocas de pós-mentira, em que não basta mais somente usar a mentira para ludibriar as pessoas, mas tornar a verdade irrelevante ou inócua. E a verdade aponta que Roraima está dominado pelo crime organizado, que contaminou as instituições e poderes constituídos. É isso o que “eles” não querem que as pessoas acreditem como verdade em tempo de pós-mentira.

*Colunista

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