FALANDO DE NEGÓCIOS

Os conflitos éticos das 48 leis do poder: controle as ações. quem dá as cartas é você

Os conflitos éticos das 48 leis do poder: controle as ações. quem dá as cartas é você

Todos sabem que a vida é um jogo, mas não precisamos levar à risca a máxima de que “para que eu ganhe o outro tem que perder”, ou seja, temos que jogar dentro das regras, dar ao oponente a possibilidade dele participar do jogo, mas não precisa chutar na canela, dar cama de gato ou mesmo blefar. Precisamos focar na vitória e lembrar que a vida é uma roda gigante, hoje quem ganha vai para a cadeira mais alta e quem perde senti o gosto de ir para a parte mais baixa do brinquedo, mas jamais esqueçam que a vida é como a roda gigante, roda todo dia alternando as posições, por isso pense como vai jogar na sua vida para não reclamar amanhã.

No nosso artigo da semana, estamos diante de uma das leis que tem sua interpretação bastante interessante quando da análise dos conflitos éticos. Estar em posição de comando, não significa estar no comando. O mundo passa o tempo todo nos testando e nos dando opções, alternativas e caminhos, e a nossa escolha, no fundo, tem como objetivo nos dá sempre o melhor resultado. Mas será que isso é verdade 100%?.

Com o passar do tempo, passamos a admitir que nem sempre teremos o resultado que queremos, teremos que escolher o que será menos danoso em função da nossa escolha. O problema que deveremos saber enfrentar é se estamos gerando as opções em função das nossas atitudes ou alguém, em um determinado momento, passou a nos dar as opções. Explicando melhor é saber se estamos criando alternativas ou deixamos a nossa vida na mão dos outros, e aí está o grande perigo: quem é a pessoa que passou a dar as cartas, a comandar a nossa vida? A forma como você conduzir ou deixar ser conduzida a sua vida, definirá o seu legado.

Veja o que diz a lei 31, do livro “As 48 leis do poder” de Robert Greene:

Lei nº 31 – Controle as ações. Quem dá as cartas é você. As melhores trapaças são as que parecem deixar ao outro uma opção: suas vítimas acham que estão no controle, mas na realidade são suas marionetes. Dê as pessoas opções que sempre resultem favoráveis a você. Force-as a escolher entre o menor de dois males. Ambos atendem ao seu propósito. Coloque-as num dilema: não terão escapatória.

Todos nós vivemos dilemas, mas é um tanto quanto temeroso afirmar que ao colocarmos dilemas às pessoas, elas ficarão sem escapatória. Não podemos tratar as pessoas como elementos de um jogo. Podemos ao planejar nossas ações, definir o Norte que queremos, os meios que utilizaremos, as pessoas importantes durante a execução do plano, mas não podemos nos permitir ao elaborarmos um planejamento desastroso, querer corrigir os rumos usando de maneira vil as pessoas.

Vamos fazer uma analogia com uma prova de atletismo de 1500 metros com barreira. Nos preparamos para a competição da melhor maneira possível, noites bem dormidas, treinos exaustivos, privações, saudade da família e de quem amamos e tantas outras coisas. Todo esse esforço não significa o pódio mais alto da competição por antecipação, pois durante a sua preparação suas atitudes definiram qual o seu estado de espírito no momento da largada. Seu objetivo é a vitória, mas por algum motivo, você chegou fora das três primeiras colocações e se frustrou. Vem à mente que você poderia ter feito muita coisa de forma diferente, mas é nessa hora que você tem que colocar a cabeça no travesseiro e refletir sobre todas as suas atitudes e se alguma decisão ou caminho escolhido poderia ter sido diferente, ou se de repetente você terceirizou seus objetivos para quem não estava alinhado com eles.  Por isso que aconselho que na corrida da vida, muitas vezes, é melhor voltarmos a linha de largada do que querer atropelar alguém durante a competição, assim você terá a chance de vencer sempre e ser aplaudido a cada nova vitória.   

Estamos diante de uma lei que pode esclarecer muitas coisas que já vivemos, estamos vivendo, passando e ainda vamos passar, mas ela levanta vários conflitos éticos e questões morais, pois envolve a possibilidade de manipulação, engano e exploração de outras pessoas.

Vamos abordar alguns desses conflitos éticos presentes nessa lei:

Risco de Manipulação: A lei sugere o uso de manipulação para controlar as ações das pessoas, fazendo com que elas ajam de acordo com seus interesses, muitas vezes sem o conhecimento ou consentimento delas. Isso levanta preocupações éticas relacionadas à honestidade e ao respeito pelo livre arbítrio das pessoas. As pessoas inconscientemente podem ser manipuladas, dependendo do momento que vivem.  

Enganar pessoas: A lei menciona “as melhores trapaças” e “deixar ao outro uma opção”, o que implica enganar as pessoas para que elas ajam contra seus próprios interesses. Isso é antiético, uma vez que envolve ludibriar os outros para obter vantagens pessoais.

Exploração da fragilidade: Ao forçar as pessoas a escolherem entre o “menor de dois males” e fazê-las acreditar que estão no controle quando não estão, a afirmação explora a vulnerabilidade das pessoas. Isso é moralmente questionável, pois envolve tirar proveito das fraquezas ou a falta de conhecimento dos outros.

Falta de empatia: A abordagem sugerida na lei não leva em consideração os sentimentos, necessidades ou bem-estar das outras pessoas. Isso reflete uma falta de empatia e consideração pelos outros, o que é uma preocupação ética importante.

Consequências negativas: A lei sugere que ambas as opções apresentadas atendem ao propósito do indivíduo que controla as ações, independentemente das consequências negativas que isso possa ter para os outros envolvidos. Isso levanta questões éticas sobre a responsabilidade moral e as implicações das ações.

Em resumo, a lei envolve uma série de conflitos éticos relacionados à manipulação, engano, exploração, falta de empatia e consequências negativas para outras pessoas. É importante considerar essas questões éticas ao avaliar a moralidade do comportamento, das ações ou das estratégias que envolvem a manipulação e o controle dos outros.

E para fecharmos o nosso artigo é importante destacar que estamos vivendo um momento muito delicado em nossa sociedade. Temos pessoas cada vez mais vivendo no mundo digital, mundo irreal, que foge ao olho no olho e que cria comunidades que se distanciam mesmo estando lado a lado, pessoas fracas, sem opinião, vivendo de modismos e cada vez mais distante do que é importante, que são as pessoas. Por esse motivo, quando fizermos parte do projeto de alguém e tenhamos que dar opções a elas, que sejam voltadas ao bem comum e não a destruição do oponente e nem dar espaço a pensamentos mesquinhos e que busquem diminuir ou usar as pessoas como imbecís úteis.

Tenha o controle da sua vida. Quem manda nela é você. A melhor forma de conduzir a vida é ser sempre a melhor opção em tudo, para você e para os outros. As pessoas que estão ao seu redor, subordinadas ou não a você, fazem parte do seu projeto, mas você também faz parte do projeto delas e os dois fazem parte do projeto MUNDO, portanto jamais as use como marionetes. Dê as pessoas opções que sempre resultem favoráveis a todos, pois no fundo, sendo favorável a você será favorável a quem torce por você, mesmo que você não saiba. Dê opções ao mundo que sempre sejam boas para todos, mas frente as dificuldades, busque sempre a que menor impacto tiver em sua vida e na vida dos outros. As opções atendem o propósito de todos. Dê opções de vida a todos, aí construiremos um mundo melhor e a torcida pelo sucesso do outro será regra e não exceção.

Por: Weber Negreiros

CEO da WN Treinamento, Consultoria e Planejamento

Contatos via WhatsApp: WN Norte 95 99133 4737 | WN Sul 11 95 98123 9921