Militares do Comando Operacional Conjunto Catrimani II (Foto: Bruno Mancinelle / Casa de Governo)

O governo brasileiro tem conseguido enfrentar o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, foco de vários crimes que acabavam refletindo não só na vida das comunidades indígenas e no meio ambiente, mas também na dinâmica da atuação do crime organizado no Estado, que tinha no narcogarimpo uma nova atuação para se fortalecer economicamente no país.

Dados divulgados esta semana pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão responsável pelo monitoramento ambiental e territorial da Amazônia por meio de imagens de satélite e sistemas de inteligência, apontam uma redução de 98,77% das áreas de garimpo ativo entre março de 2024 e janeiro de 2026

No período de maior pressão, no ano de 2024, o garimpo ilegal ocupava cerca de 4.570 hectares do território. Ao final de 2025, a área identificada como garimpo ativo havia sido reduzida para 56,13 hectares, resultado de 9 mil operações de segurança que garantiu a forte presença do Estado brasileiro no território indígena na fronteira com a Venezuela e a consequente queda da atividade ilegal.

Tudo isso foi graças a uma atuação contínua coordenada pela Casa de Governo, baseada em Boa Vista, envolvendo a Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Polícia Rodoviária Federal (PRF),  Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Polícia Judiciária da Força Nacional (PJFN), Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira.

O impacto dessas ações mexeu direto na estrutura econômica do garimpo ilegal, com prejuízos estimados em mais de R$ 642 milhões, atingindo desde os pontos de extração até as rotas de abastecimento e escoamento do ouro. Foram realizadas fiscalização em campo, ações de inteligência, controle do espaço aéreo e fluvial, bem como o bloqueio das rotas logísticas utilizadas por invasores das terras indígenas.

A cifra milionária em questão mostra o poderio dos que investiam no garimpo de ouro e cassiterita de forma ilegal. Foram inutilizadas 45 aeronaves, 77 pistas de pouso clandestinas e 762 acampamentos, além da apreensão de combustíveis, motores, embarcações e outros equipamentos utilizados na atividade garimpeira.

Entre 2024 e 2025, foram apreendidos 249 Kg de ouro em Roraima, sendo 213 Kg apenas em 2025, enfraquecendo diretamente a base financeira que sustenta a cadeia logística do garimpo ilegal, desde a extração até o transporte e o escoamento do minério. Além disso, ocorreu a apreensão de 232 Kg de mercúrio, insumo fundamental para o funcionamento do garimpo ilegal e diretamente associado à contaminação de rios e do solo.

Enquanto as autoridades comemoram o enfrentamento ao crime na Terra Indígena Yanomami, o desafio em 2026 é a mobilização contra a invasão garimpeira na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, na área de fronteira com a Guiana, para onde a logística do garimpo se mudou com toda sua estrutura e modo de operar, inclusive com apoio de políticos e empresários.

A ocupação garimpeira naquela região tem resistido às operações policiais e exige uma ação coordenada para o enfrentamento a essa atividade ilegal que tem impactado severamente as comunidades indígenas. Os problemas ambientais lá identificados são apenas um dos aspectos. Prostituição, alcoolismo, criminalidade e a ocupação de comunidades por faccionados, com a perda da autoridade pelas lideranças indígenas, têm se ampliado. O tempo urge.

*Colunista

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