Por Parabólica
Em 09/12/2019

Bom dia,

No fim de semana, as fakes news dominaram as rodas de conversa em Roraima, depois que a Polícia Federal realizou a operação Hespérides, na última sexta-feira, 6. O ‘vazamento’ de um suposto relatório policial lança graves suspeitas sobre empresários e servidores públicos, que carecem de uma explicação dos órgãos de segurança, seja para confirmar ou negar a veracidade das acusações ali levantadas e que vão além da comercialização de ouro contrabandeado da Venezuela e de garimpos ilegais de Roraima. A sociedade roraimense tem o direito de ser bem informada sobre as atividades ilegais e criminosas, inclusive para auxiliar a Polícia, mas os cidadãos de bem, sejam funcionários públicos ou empresários que trabalham duramente, empregam muitos pais de família e pagam seus impostos, merecem ter a imagem preservada. Trata-se de uma história mal contada que precisa de esclarecimento oficial.  

EXPORTAÇÃO

A exportação de ouro em Roraima já conta como um dos principais itens da balança comercial e isso precisa de muita explicação. Mais de 65% do território estadual está delimitado como reservas indígenas ou ambientais e não existe por aqui nenhum garimpo operando legalmente. Apesar disso, Roraima exportou 771 quilos de ouro nos últimos três anos, segundo informações do Comex Stat, portal do Ministério da Economia sobre comércio exterior.

EXPORTAÇÃO 2 

A informação no portal do Ministério da Economia é que quase metade desse minério foi vendido só nos últimos dois meses. A operação Hespérides revelou o esquema de contrabando de 1,2 tonelada de ouro da Venezuela e de garimpos ilegais em Roraima e explica como o minério foi parar na balança comercial do Estado. A ação da PF prendeu 18 pessoas que faziam parte da rede de contrabando. A quadrilha tinha participação de empresários venezuelanos, além de servidores públicos federais e estaduais. Cinco investigados estão foragidos. Foram apreendidos na operação cerca de R$ 1,5 milhão em espécie (entre reais e moedas estrangeiras), mais de 100 kg de ouro, 70 Kg de prata e 22 carros de luxo. 

MAIS FAKE NEWS 

A boataria oriunda de fake news também movimentou o cenário nacional, inicialmente com uma postagem em rede social supostamente atribuída ao presidente Jair Bolsonaro, a respeito da assinatura de um decreto com a extinção do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a partir de hoje. A ‘notícia’ ganhou repercussão depois que o secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, leu o falso tuíte ao final de uma audiência pública que realizava no Acre, na sexta-feira.

RETRATAÇÃO 

A gravação em vídeo viralizou e deu início a um movimento contrário dos partidos de esquerda, dos movimentos sociais e das entidades que lutam pela reforma agrária no país, o que obrigou o mesmo Nabhan Garcia a gravar um pronunciamento desmentindo e esclarecendo a fake news da qual sucumbiu. “O Incra é uma instituição fundamental e necessária para que possamos promover a regularização fundiária no país”, afirmou, ao reafirmar que amanhã o presidente Jair Bolsonaro assina uma medida provisória com novas regras para a regularização fundiária em todo o país. 

REFÚGIO 

O governo brasileiro aprovou, de uma só vez, 21.432 solicitações de refúgio de venezuelanos após o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) classificar a Venezuela como país em situação de "grave e generalizada violação de direitos humanos", o que, segundo o comitê, dá mais celeridade aos pedidos de refúgio. Assim, os mais de 21 mil refugiados venezuelanos reconhecidos se somam às 11.231 pessoas de diferentes nacionalidades que já tinham status de refúgio no Brasil, segundo dados do Conare. Portanto, a recente decisão quase triplicou o total de refugiados cadastrados no país, visto que um pedido leva de dois a três anos para ser processado pelo comitê.

PESQUISA 

Pesquisa do Datafolha divulgada ontem aponta que o presidente Jair Bolsonaro chega ao fim do primeiro ano do mandato com aprovação pior que seus antecessores para o mesmo período. O instituto mediu que atualmente, somente 30% dos brasileiros aprovam a gestão do presidente. No mesmo período, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha 41%; Luiz Inácio Lula da Silva, 42% e Dilma Rousseff, 59%. Surpreendeu a aprovação da atual equipe econômica, que passou de 20% para 25%. A aprovação do trabalho de combate ao desemprego também subiu. Foi de 13% para 16%.

HGR 

A situação do Hospital Geral de Roraima (HGR), que há muito tempo não é boa, se agravou bastante com a greve dos enfermeiros. Oficialmente, somente esta classe está paralisada, mantendo apenas o contingente de 30% do efetivo trabalhando, mas quem esteve no final de semana naquela unidade de saúde constatou que profissionais de vários setores também estão em falta, o que compromete ainda mais o atendimento aos pacientes de todo o Estado que buscam socorro no HGR.

HGR 2

Conforme o relato feito à Parabólica, na portaria do HGR, por exemplo, não havia pessoal fazendo o controle de entrada e saída de acompanhantes. “Estive lá durante três dias e entrei e saí sem ninguém perguntar nada, pela portaria do Pronto Atendimento. Além disso, os pacientes estão misturados nos blocos. Pessoas internadas com dengue dividem o mesmo espaço de doentes terminais ou com doenças infectocontagiosas”, disse o acompanhante. Ainda segundo a denúncia, a assistência dos médicos nos blocos também está prejudicada. “Os faxineiros estão sendo o socorro dos pacientes, quando precisam muito do auxílio de alguém”. Está feito o registro.      

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