Por Opinião
Em 15/12/2018

A diferença entre SER e TER

Flavio Melo Ribeiro*

A diferença entre Ser e Ter, embora óbvia, é bastante confundida. Geralmente quando se pergunta a alguém quem ela é, geralmente respondem o que ela faz e tem. Respondem qual a sua profissão, o que gosta de fazer, seu lazer, estudo, atividades profissionais e com quem se relaciona. Muito raramente falam do seu Ser, suas características, seus valores, seus desejos e projetos. Mas o conhecer alguém vai além do que ela adquiriu e do que ela faz. Dizer que conhecemos alguém é conseguir antecipar o que essa pessoa vai fazer diante das situações, pois sabe-se quem ela é em seu Ser. Conhecendo a subjetividade sabemos quem o outro é.

A maior diferença psicológica que se encontra entre Ser e Ter está na segurança que a pessoa pode ter. Uma pessoa segura de si, primeiramente, sabe quem ela é e, com isso, consegue definir com clareza quem ela quer ser num futuro. Dessa forma ela sabe o que deseja possuir e o que é necessário fazer para alcançar. Sendo assim, mesmo que no caminho ela encontre adversidades, essas não serão um peso para sua vida, mas dificuldades que precisam ser superadas. O caminho percorrido, mesmo sendo difícil, é leve de ser vivido. Em contrapartida, uma pessoa insegura é aquela que acredita que precisa ter determinadas coisas para então começar a fazer e, consequentemente, ela espera que será um destaque, pois se tornará aquela pessoa que no fundo ela já deseja ser, mas não é. Mas dessa forma ela, ou paralisa e nem inicia as atividades que se propôs, ou as realiza de forma insegura com grande chance de dar errado. Além disso, é bastante comum reclamar das dificuldades que o caminho apresenta.

Uma outra grande diferença se encontra quando se mede a confiança que se tem em alguém. A confiança não vem pelo que a pessoa tem, mas pelo que ela é. A ação de uma pessoa que inspira confiança passa uma certeza, pois ela leva em consideração as consequências que ocorrerão ao seu redor, tanto no campo material, como na relação das pessoas que serão afetadas. E isto só é possível se os valores que constituem sua personalidade são de boa índole.

Experimente numa próxima oportunidade falar a respeito de você e seus projetos. Alguns gostarão, mas outros acharão estranho, porque na realidade não querem saber como realmente você é, apenas manterão a confusão entre Ser e Ter e se enganarão achando que lhe conhecem.

*Psicólogo - CRP12/00449

E-mail: flavioviver@gmail.com Contato: (48) 9921-8811 (48) 3223-4386

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Isso vai cicatrizar!?

Taylor Santos*

Prometi-me que pararia de narrar as lágrimas produzidas nas madrugadas, os apertos no coração e a imensa vontade de ver os teus olhos, contudo tem horas que o incêndio é incontrolável.

Perco o autocontrole das emoções e passo para o estado líquido de ser. Estou com uma canção incompleta nas mãos. Jurei que o tempo iria apagar você de mim, mas os meus cálculos matemáticos estavam errados. A tua imagem ainda continua viva e latente em meus pensamentos. Existe uma catastrófica dificuldade em virar a página, fiquei tão quebrado, que talvez não volte a ser o que era antes. Perdi-me dentro daquilo, que ainda não sou capaz de nomear.

A casa está bagunçada, estou perdido dentro da minha própria desorganização de ser eu. Qualquer rumo é destino para eu ir, fiquei sem minha própria essência. Passei a ser uma pessoa incapaz de falar dos meus sonhos. Em cada morrer do dia, a noite chega fria por debaixo da porta, alguma coisa sussurra nos meus ouvidos: só um momento, que a saudade foi chamar o apego. É neste instante, que o desabamento começa, são choros, soluços e um adormecer anestesiado pela injeção da saudade, que demora a fazer efeito, mas quando faz é profundo.

Por dentro existe uma tempestade forte, que ainda não foi controlada, porém, por fora, a madrugada é pintada pelas estrelas e apagada pelo nascer do sol. Está sendo dolorido viver, não consigo desatar o nó do apego. É uma sensação de falta agitada, que grita alto pela casa e desfila faceira a zombar de mim.

O calendário passou a ser outono, fiquei sendo junho e julho na minha intimidade. Espero que, no futuro, eu seja dezembro ou janeiro. O tempo vai balançando na rede da vida e as flores estão cantando a melodia do dia. Entretanto o meu mastigar de viver é amargo, o sabor de ser feliz ficou perdido em alguma refeição do passado. Existe uma verdade cantarolando na minha janela, eu ainda estou abraçado ao passado, alguma coisa inflama toda vez que recordo do teu riso. Depois de ser dilúvio, pensei que estaria limpo por dentro. Ainda não achei a tecla que deleta as recordações que juntei no decorrer do caminhar pela vida. Neguei os fatos, praguejei o passado, culpei os outros e gritei o desespero de não aceitar o desfecho da história.

Na verdade, eu ainda não aceitei o desfecho dessa história. Não consigo vestir a aceitação, uma revolta ficou enraizada em mim, a minha correnteza está parada, a vida deixou de seguir, sou apenas um lago, deixei de ser oceano.

O que posso fazer para voltar a amar a minha própria poesia de ser eu? O que faço para tirar este perfume de recordar o passado? Como deixo de ser choro? Onde reencontro as cores para pintar a minha felicidade? São tantos pontos de interrogações, que ainda não consigo colocar o ponto final.

Esta dor não me deixa pensar. Juro que estou tentando, apaguei o número, deletei fotos, deixei de citar o nome, toda vez que começo a pensar no passado, rapidamente, procuro fazer algo para distrair os pensamentos. É uma guerra que não tem hora para começar, mas o fim esmurra o coração dilacerado e a dor desatina a doer com intensidade de um tsunami.

Hoje, estou sendo automático, acordo, trabalho, ando e deito. As expectativas de um futuro melhor estão enterradas em algum lugar desconhecido. Eu não estou para ninguém, quero apenas o sossegado escuro do meu quarto, durmo para não olhar a morte do tempo. Só preciso de uma simples resposta. Onde encontro uma borracha para passar no meu passado? #desapegadatuador!

*Articulista

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Quantos dedos estão apontados para você?

Vera Sábio*

Acho interessante aquele que se diz patriota, que afirma amar o Brasil e desejar o crescimento, a prosperidade, a solidariedade e o bem da pátria; todavia esta morrendo de vontade de que este novo governo dê errado, simplesmente para dizer que tinha razão, que seu voto estava certo, que as pessoas foram enganadas e votaram em torturador, homofóbico, machistas e tantos rótulos colocados no novo presidente.

Afinal nós que somos brasileiros, que amamos a pátria e desejamos ter uma vida melhor aqui no Brasil, queremos ser felizes ou ter razão?

É óbvio que não concretizamos o bem, apenas pensando positivo; mas é verdade também que a energia positiva espalhada de coração, de desejo e com vontade, tem grandes possibilidades de ser concretizada, da mesma maneira que a energia negativa, distribuída com a mesma intensidade.

Então se não conseguimos lutar e fazer o bem que precisa ser feito, paremos de criticar, desperdiçando energias que com certeza irão nos prejudicar e cada vez mais trazer desunião ao povo. Deixamos acontecer para ver como será.

Você já prestou atenção ao apontar um dedo para alguém, quantos dedos ficam apontados para si mesmo?

Fomos criados com tanto amor e tanta perfeição, pelas mãos do criador, que em nosso próprio corpo temos diversos exemplos de como são as nossas atitudes. Pois o corpo fala.

Nossos olhos sorriem, nosso medo amarela, nosso coração dispara, nossos ouvidos choram e nossos dedos mostram que ao apontar o indicador, pelo menos três dedos se voltam para o nosso umbigo.

Assim não adianta ter os umbigos reluzentes, somos transparentes e feitos para que tudo que distribuirmos recebermos em quantidade maior.

Aproveite esta reflexão para pensar positivo, agradecer mais e reclamar menos, fazer aos outros somente aquilo que desejamos receber e com isso com certeza o próximo ano será bem melhor.

Feliz 2019.

*Psicóloga, palestrante, escritora, servidora pública, esposa, mãe e cega com grande visão interna. Adquira meu livro “Enxergando o Sucesso com as Mãos” Cel. 95 991687731

Blog: enxergandocomosdedos.blogspot.com.br

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As janelas da vida

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Entre a porta e a janela

A medida certa

A vida sendo aberta.”

(Roberta Cruz)

Manhã de vento frio, em Boa Vista. Tempo que leva a gente aos bons tempos passados. E estes podem muito bem estar onde nem os percebemos. Não sei se você gosta de viajar pelo passado. Eu adoro. É na viagem no barco do pensamento que caminhamos por vias que não conseguimos esquecer. Adoro viajar nos pensamentos. A simplicidade que vivemos fica guardada no baú da felicidade. E esta está onde estamos desde que saibamos vivê-la. É uma caminhada em voo, na nave da felicidade. Voei pelo espaço do pensamento quando abri a janela e recebi uma pequeníssima rajada de vento fraco e frio no meu rosto.

Adoro lugares que nos parecem fora do amável. Sinto saudade do centrão de São Paulo. E senti esse impacto ao abrir a janela pela manhã. Você pode até rir pelo choque da beleza nas diferenças. Mas não é o que vi antes, nem agora. Foi o friozinho do ar agradável que me levou a dias maravilhosos quando eu abria a janela do quarto, e via o movimento das folhas nas árvores da Praça João Mendes, em São Paulo. Ambiente onde vivi dias felizes na minha adolescência. Momentos que nunca se afastaram de minha mente, independentemente da distância em que me encontre quando me lembro.

Sempre adorei São Paulo e amei o Rio de Janeiro. Continuo sentindo falta dos dois ambientes onde vivi e aprendi a viver, na felicidade da observação benéfica. Alguém já nos disse que só sente saudade quem foi feliz. E por que não procurar ser feliz onde você estiver? Sempre que estiver se sentindo por baixo, procure subir mais um degrau. E a subida vai depender da sua capacidade de pensar. E a felicidade está sempre onde você está. Não importa o momento nem o lugar. O que vale mesmo é você estar preparado, ou preparada, para recebê-la. Pode ser na abertura de uma janela, de uma porta, ou mesmo um relâmpago no pensamento. E não deixe de sorrir quando ela, a felicidade, aparecer. Ela é infalível no transporte eterno.

Quando abrir sua janela, pela manhã, não se esqueça de dar bom dia ao dia. A abertura da janela pode muito bem estar abrindo uma porta para que você entre no salão de beleza de Deus. Porque é neste salão que você se embeleza com a perfeição da felicidade. E esta é o maior segredo para a grandeza espiritual; que é só quando nos valorizamos de verdade. É quando nos sentimos feliz fazendo com que as outras pessoas se sintam felizes com nossa presença. O amor é o alimento da felicidade. E o amor é sempre sadio, e alimenta a felicidade. Ame-se e ame. Mas não cobre retorno. Ele sempre virá como gratidão. Pense nisso.

*Articulista

afonso_rr@hotmail.com

99121-1460

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