
A produção de soja em Roraima precisa atingir entre 300 mil e 500 mil hectares para que o Estado seja inserido de forma efetiva no cenário nacional do agronegócio. A avaliação é do produtor rural e empresário agroindustrial Geraldo Falavinha, que defende a ampliação da área cultivada como condição essencial para consolidar a atividade no Estado.
A declaração durante entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha FM 100,3, nesse domingo (18).
Atualmente, Roraima soma cerca de 135 mil hectares de soja, com expectativa de chegar a 150 mil hectares em 2026. O volume, segundo Falavinha, representa um crescimento expressivo quando comparado à área plantada em 2012, mas ainda é considerado insuficiente frente aos principais estados produtores do país.
“Isso foi um salto muito grande no crescimento da produção. E veja bem que nós estamos passando uma época de dificuldade na cultura, no comércio da soja, os preços estão muito baixos, os custos de produção subiram muito lá na época da pandemia e não voltaram, e hoje a margem da produção de soja é mínima, quando não cobre os custos”, afirmou.
No entanto, “ainda estamos devagar. Nós precisamos chegar lá nos 300, 500 mil hectares de soja para nós entrarmos no contexto nacional de produtores de soja, porque os outros Estados estão tudo acima de 500 mil, e o Mato Grosso está com 11 milhões de hectares”.
Desafios da produção de soja em RR
Ao comentar sobre os desafios da produção de soja em Roraima, o produtor e empresário explica que o alto custo para implantação de novas áreas limita o avanço da atividade, sobretudo para produtores que estão ingressando na cultura. De acordo com Falavinha, o investimento inicial elevado, junto à uma rentabilidade apertada, torna o retorno lento.
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“Hoje fica mais difícil para se abrir mais área para aumentar a produção, porque um hectare de soja, para introduzir um hectare de soja, custa em torno de 10 a 12 mil reais. E você produzindo 50, 55 sacos a 100 reais, você vai levar dois anos para pagar isso. Mas aí você tem que plantar de novo“, explicou o produtor.
Outro gargalo da produção em Roraima, segundo Falavinha, é a falta de crédito acessível continua sendo um dos principais gargalos do setor. Segundo ele, a burocracia e a exigência de garantias dificultam o acesso ao financiamento, especialmente para novos produtores.
Mais um entrave destacado é a logística. Falavinha afirma que o custo do frete compromete significativamente a rentabilidade da produção, sobretudo nos períodos de colheita, quando a demanda por transporte aumenta. “Quando chega a hora do apuro da colheita, o frete chega perto de 240, 260 reais por tonelada, e isso nos tira grande parte do que poderia sobrar do que a soja produz”, disse.
Produtor segue apostando no crescimento
Apesar das dificuldades, Falavinha avalia que o produtor segue apostando no crescimento da soja em Roraima, impulsionado pelas condições naturais do Estado. Além disso, ele defende a diversificação das rotas de escoamento, com destaque para projetos de transporte pelo Rio Branco e a possibilidade de exportação por países vizinhos, como a Venezuela, além da integração com outros corredores logísticos.
“Exportar mais perto, com custos menores, é fundamental para que sobre recurso aqui no Estado e a gente consiga alavancar e crescer“, destacou.
A entrevista completa está disponível no canal no YouTube da rádio Folha FM.