A população mundial de pessoas com algum tipo de deficiência que afeta diretamente alguma parte do corpo humano é bastante significativa. No entanto, em grande parte dos casos, essas pessoas estão aptas a desempenhar atividades profissionais em alto nível.
Franklin Delano Roosevelt, o 32º presidente dos Estados Unidos, que governou o país de 1933 a 1945, foi um exemplo de superação. Mesmo utilizando uma cadeira de rodas em decorrência da poliomielite, tornou-se um dos maiores estadistas americanos. Conduziu os Estados Unidos tanto durante a Grande Depressão — crise econômica ocasionada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929 — quanto durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), desempenhando um importante papel ao lado dos Aliados, coalizão de países que lutaram juntos pela derrota do nazifascismo na Europa Ocidental.
Edouard Hernest Huet, renomado professor francês de língua de sinais, poliglota e também surdo, chegou ao Rio de Janeiro em 1855, a convite do imperador D. Pedro II, no contexto do período Imperial (1822–1889). Huet foi o primeiro professor de surdos a lecionar no país para esse público. Desde então, outros profissionais também estiveram à frente dessa nobre missão. Esse é o caso da pedagoga e pesquisadora de línguas de sinais emergentes e de línguas de sinais indígenas Shirley Vilhalva, natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e de origem indígena. Vilhalva é também pós-graduada em Docência e Tradução em Libras e, mesmo sendo surda, nada a impediu de construir uma trajetória de extrema relevância em prol do bem comum no Brasil.
O sansei Wilson Mikiyo Yuwata, descendente da terceira geração de japoneses no Brasil, sofreu um grande abalo emocional após um desastre automobilístico ocorrido em Ogaki-shi, no Japão, em 1995, no qual ficou internado por seis meses, passando posteriormente a utilizar cadeira de rodas. Mesmo diante das dificuldades financeiras e estando muito distante do Brasil, Yuwata seguiu em frente. Em fevereiro de 1997, retornou à cidade do Gama, no Distrito Federal, onde contribuiu decisivamente para a criação da Associação dos Deficientes do Gama e Entorno (ADEGE). Ainda naquele ano, em 10 de outubro, inaugurou sua própria empresa no ramo de alimentação (sorveteria), que se encontra em pleno funcionamento.
Quando o assunto é a superação dos próprios limites, tanto na dor física quanto na força mental, o brasileiro Edmilson Gomes Alves é mais um exemplo. Vítima de um acidente automobilístico ocorrido em janeiro de 1988, que o manteve internado por quase dois anos na renomada Rede SARAH de Hospitais do Aparelho Locomotor, em Brasília, ele não desistiu. Mesmo passando a utilizar cadeira de rodas, em 2002 iniciou um projeto bem-sucedido ao criar seu próprio estabelecimento comercial (mercearia) na área rural dos arredores do Distrito Federal, na região da Ponte Alta. Gomes Alves participa ativamente das conquistas da região onde trabalha e mora. Suas contribuições incluem a chegada da iluminação pública na rodovia DF-180, o asfaltamento, a implantação de um posto de saúde e, mais recentemente, a construção da nova Unidade Básica de Saúde (UBS).
O francês Louis Braille foi um exemplo de grande fortaleza humana. Deficiente visual total desde os três anos de idade, como alguém perdido em uma densa floresta, precisou encontrar uma saída. Braille, com muita determinação e ainda muito jovem, por volta de 1825, alcançou um feito histórico ao inventar o sistema Braille, que leva seu próprio nome. Trata-se de um alfabeto convencional cujos caracteres são representados por pontos em alto-relevo, permitindo a leitura por pessoas com deficiência visual por meio do tato.
Todas as pessoas com algum tipo de deficiência, em todo o mundo, mesmo diante de suas limitações, fazem parte da construção de caminhos promissores, contribuindo, cada uma à sua maneira, para um mundo melhor. São mentes brilhantes que, apesar de inúmeros obstáculos, demonstram extraordinária capacidade de superação física e mental, em nome da maior conquista humana: viver!
Luz!
Brasilmar do Nascimento Araújo – Jornalista