
Desafios que prometem emagrecimento rápido têm ganhado espaço nas redes sociais, impulsionados por vídeos curtos e discursos simples. Um dos exemplos mais recentes é o consumo diário da chamada “água de chia”, apresentada como uma solução quase milagrosa para perder peso. Especialistas em saúde, no entanto, alertam que seguir esse tipo de prática sem orientação pode trazer riscos ao organismo.
Embora alimentos como a chia tenham benefícios nutricionais comprovados, o problema está na forma como esses desafios são divulgados. Muitas vezes, eles reduzem o emagrecimento a uma única estratégia, ignorando fatores essenciais como alimentação equilibrada, rotina, saúde intestinal e condições individuais. Além disso, o consumo excessivo de fibras, especialmente por pessoas que não estão habituadas, pode causar desconfortos como inchaço, dores abdominais e alterações intestinais.
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) destaca que fibras alimentares, presentes em alimentos como chia, linhaça e cereais integrais, são importantes para a saúde do intestino e ajudam no controle do peso quando fazem parte de uma dieta variada e acompanhada por profissionais de saúde, mas não substituem hábitos alimentares equilibrados nem estratégias sustentáveis de perda de peso.
Outro ponto de atenção é que vídeos virais nem sempre se baseiam em evidências científicas. Parte desse conteúdo é criado apenas para gerar engajamento, curtidas e visualizações, e não para orientar de forma responsável. Há ainda casos de vídeos produzidos com inteligência artificial ou por perfis sem formação em saúde, o que aumenta o risco de desinformação.
Profissionais da área reforçam que não existem fórmulas rápidas ou universais para emagrecer com saúde. Mudanças sustentáveis envolvem alimentação variada, prática de atividade física adequada, hidratação e, quando necessário, acompanhamento profissional. Seguir desafios da internet pode parecer inofensivo, mas pode mascarar hábitos pouco saudáveis e criar frustrações ou problemas físicos a médio prazo.
A recomendação é simples: antes de adotar qualquer “desafio” ou tendência, é importante desconfiar de promessas fáceis, buscar informações em fontes confiáveis e lembrar que saúde não se constrói em vídeos de poucos segundos, mas em escolhas consistentes no dia a dia.