Você não precisa ter medo do medo. Basta não se preocupar com ele. Quando nos conhecemos como seres de origem racional vivemos com racionalidade. E não é nada racional ter medo de viver. E quem vive com medo das coisas, não vive, vegeta. Tudo que acontece na vida faz parte da vida. E tudo está no nosso nível de evolução racional. E cada um está no seu nível. Mas pode e deve evoluir. E nunca evoluirá se continuar tremendo, com medo do medo. Vamos ser mais ativos e ativas para podermos viver a vida, em vez de viver apenas na vida. Nada é tão poderoso quanto o poder que temos em nossas mentes. E o importante é que não consideremos isso como fantasia. Sabemos o quanto é difícil entender isso enquanto não acreditarmos no que somos. Enquanto não acreditarmos que tudo de que necessitamos para sermos felizes está dentro de nós. Brinde que Deus nos deu quando nascemos pela primeira vez. E a primeira vez não sabemos quando foi.
Na década dos setentas do século passado, eu trabalhava num estaleiro, no Rio de Janeiro. Certo dia percebi que um funcionário novato estava chegando, pela manhã, com cara de aborrecido. Numa conversinha amigável lhe perguntei o que estava perturbando-o. Em forma de desabafo, ele me disse que ficava chateado sempre que passava por aquela rua, via um morador-de-rua dormindo na calçada, sem nenhuma proteção. E que ele ficava revoltado. E isso acontecia pela manhã quando ele ia para o trabalho no estaleiro. Logo que ele parou de falar comecei a convencê-lo de que ele estava perdendo tempo com um problema que só o mendigo poderia resolver. E que se ele quisesse testar era só amanhã, quando viesse para o trabalho, ir até o mendigo e lhe perguntar se ele queria alguma coisa. Que com certeza o mendigo iria acordar e o xingar por tê-lo tirado do sono. O funcionário sorriu e dias depois ele me disse que não estava mais se aborrecendo com a situação do mendigo.
Se isso lhe parecer descaso pelos outros, corta essa. Cada um está no seu grau de evolução racional. Se se levar em consideração, se verá que nada mudaria a vida do mendigo, se ele não estivesse a fim. Há sempre uma maneira civilizada de cuidar do problema dos desequilibrados sociais. E cada um de nós pode colaborar para o controle na desigualdade social. E o importante é que nos conscientizemos disso e façamos nosso trabalho criando um poder público à altura do problema. Vamos pensando nisso durante a aproximação das eleições. Vamos cuidar de nossa educação para podermos ser realmente cidadãos de verdade. Pense nisso.
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