
O fenômeno La Niña caminha para o fim após quase cinco meses de atuação no Oceano Pacífico Equatorial, segundo avaliações do MetSul Meteorologia. O enfraquecimento do resfriamento das águas superficiais abre espaço para um período de neutralidade climática, que indica a formação do El Niño.
A La Niña ocorre quando as águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental apresentam temperaturas abaixo da média, condição que altera ventos, pressão atmosférica e padrões de chuva em diversas regiões do planeta. Como na região Norte do Brasil, que tem registrado chuvas neste período de seca.
No entanto, nas últimas semanas, os indicadores mostram perda de intensidade do fenômeno. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que a temperatura do Pacífico Equatorial Central-Leste está 0,3°C abaixo da média.
Esse valor já está dentro da faixa considerada neutra, que vai de -0,5°C a +0,5°C. O último registro semelhante havia sido feito em outubro.
Durante o pico da La Niña, entre 12 e 19 de novembro, a temperatura da superfície do mar chegou a -0,8°C, índice repetido em janeiro. O episódio foi classificado como fraco e de curta duração.
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Transição para neutralidade climática
Segundo o MetSul, o recente período de neutralidade ainda não é suficiente, isoladamente, para decretar o encerramento oficial da La Niña, que exige uma sequência mais prolongada de semanas dentro da média. No entanto, a presença de águas mais quentes abaixo da superfície do oceano reduz a probabilidade de um novo e consistente processo de resfriamento.
Esse cenário reforça a possibilidade de transição para o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. La Niña e El Niño são oscilações naturais da interação entre oceano e atmosfera e costumam influenciar regimes de chuva e temperatura, especialmente na América do Sul.
Projeções da Universidade de Columbia, em Nova York, indicam 88% de probabilidade de neutralidade climática entre março e maio, 7% de chance de El Niño e apenas 5% de possibilidade de manutenção da La Niña.
*Com informações do Estadão