
A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante a ex-vereadora, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-candidata à prefeita de Pacaraima (RR), Odilanei da Silva dos Santos, conhecida como Dila Santos. A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Boa Vista enquanto ela desembarcava com 197 ampolas de medicamentos de uso controlado, entre eles Tirzepatida e substâncias anabolizantes.
Na terça-feira (27), a corporação policial realizou a abordagem durante fiscalização de rotina. No entanto, a passageira apresentou informações contraditórias sobre a origem da viagem, o que levantou suspeita da equipe.
Uma policial federal que atuou na ocorrência disse à Justiça que a equipe selecionou a passageira porque ela desembarcou com quatro malas e uma mochila, volume considerado acima do normal para o perfil do voo.
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Inicialmente, Dila afirmou que vinha de São Paulo. Entretanto, as etiquetas das bagagens indicavam procedência de Foz do Iguaçu (PR), cidade que faz fronteira com o Paraguai. Por isso, os agentes decidiram fazer a revista das malas.

Durante a inspeção, os policiais encontraram frascos de Tirzepatida – medicamento usado no tratamento do diabetes e popularmente conhecido como “Mounjaro” -, anabolizantes, substâncias que aparentavam ser botox, além de perfumes, bolsas e mochilas escolares.
Todo o material estava oculto dentro de bolsas, mochilas, caixas de perfume e até em uma caixa de farol de milha, sendo necessária a utilização do raio-x do aeroporto para localizar parte da mercadoria.
Ao ser questionada, Dila admitiu que os produtos tinham origem no Paraguai e que foram entregues a ela em Foz do Iguaçu por um terceiro. Em depoimento, declarou que parte das compras seria para uso próprio e de familiares.
À PF, ela afirmou que pagou R$ 10 mil pelos medicamentos, R$ 2 mil em perfumes e R$ 1,1 mil em bolsas. Também disse que o anabolizante teria sido pedido por uma amiga que mora no Paraguai e que o botox seria para uso pessoal.
“A interroganda afirmou que era de Foz do Iguaçu-PR; QUE, essa é a segunda vez que a interroganda foi ao Paraguai; QUE, a interroganda se deslocou até o Paraguai porque o filho da interroganda cursa Faculdade de Medicina no Paraguai; QUE, diz a interroganda que os perfumes seriam dados de presentes a parentes da interroganda; QUE,o “MONJARO” seria para uso da interroganda e de familiares, pois todos são obesos; QUE, a interroganda já faz uso de ‘MONJARO‘ [sic]”, consta termo de depoimento da suspeita.
Diante dos fatos, a PF deu voz de prisão em flagrante e conduziu a ex-vereadora à superintendência da corporação para os procedimentos legais.
Ao analisar o caso, o juiz federal plantonista Diego Carmo de Sousa homologou a prisão, ao entender que a ocorrência cumpriu todas as exigências legais e que havia indícios suficientes da prática do crime de descaminho, cuja pena varia de um a quatro anos de prisão.
Na decisão, o magistrado destacou que os depoimentos dos policiais, a apreensão do material e os elementos reunidos nos autos confirmam a situação de flagrante e a regularidade da atuação policial.
O juiz também ressaltou que os direitos da autuada foram respeitados, incluindo a comunicação da prisão ao Judiciário, o registro formal dos depoimentos e a entrega das informações legais à presa.
A Justiça determinou, ainda, a oitiva da defesa para decidir se a prisão será convertida em preventiva ou se haverá concessão de liberdade provisória.
Em nota oficial, a PF pontuou que a Tirzepatida tem venda controlada no Brasil, depende de prescrição médica e autorização da Anvisa, e que todo o material apreendido foi encaminhado para os procedimentos cabíveis.
A Folha BV ainda não conseguiu localizar a defesa de Dila Santos para comentar o caso. O espaço segue aberto.