
A defesa dos quatro policiais militares alvos da operação Quem pariu Mateus que o embale afirma que o grupo é inocente. A condenação de dois indivíduos por tráfico de drogas e associação criminosa seria, segundo o advogado, a prova de que as suspeitas levantadas Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil há um ano não se sustentam.
Os policiais foram presos em janeiro de 2025 após um traficante, detido em flagrante com drogas apreendidas durante abordagem da Força Tática, alegar que parte do entorpecente teria sido subtraída pelos militares. A versão embasou a abertura da investigação, que incluiu apreensão de celulares e oitivas dos policiais.
De acordo com o advogado Samuel Almeida, apesar da acusação, o processo criminal contra o traficante seguiu normalmente e a Justiça reconheceu a legalidade da atuação policial, utilizando a abordagem como fundamento para a condenação dos dois réus. Segundo a defesa, os condenados possuem envolvimento com uma organização criminosa de atuação nacional.
“A abordagem que os policiais fizeram foi considerada lícita e suficiente para fundamentar a condenação não só do traficante preso, mas também da pessoa apontada por ele como proprietária da droga. Serviu para condenar dois traficantes de altíssima monta, com envolvimento, inclusive, com o PCC”, disse o advogado.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ainda conforme Almeida, desde as diligências iniciais, não houve avanço na investigação que apura a conduta dos policiais. Além disso, a investigação teve origem em uma tentativa do traficante de transferir a responsabilidade pelo próprio crime.
“Foram apreendidos celulares, os policiais prestaram esclarecimentos ao Ministério Público e, há mais de um ano, não existe qualquer notícia de novas diligências que confirmem a versão do traficante. Com a condenação, fica evidente que foi uma tentativa de ludibriar a Justiça. A própria sentença, de forma incidental, legitima a atuação policial”, concluiu.
Os policiais chegaram a ficar presos temporariamente, mas foram liberados antes do término do prazo, segundo a defesa, com manifestação favorável do próprio Ministério Público. Atualmente, os quatro militares seguem submetidos a medidas cautelares que suspendem o porte de arma funcional e o exercício de atividades operacionais externas.

A defesa informou ainda que há pedido de flexibilização das medidas cautelares pendente de julgamento, que se aplica aos quatro policiais. Segundo o advogado, a expectativa é de que a análise judicial ocorra nos próximos dias.
Participação em curso do Choque
O caso voltou a repercutir nessa quarta-feira (28) após uma portaria da Polícia Militar de Roraima que convocou um dos policiais investigados, um sargento da corporação, para o Curso de Operações de Choque, formação que prevê atividades práticas com armamento, munições e explosivos.
Sobre a situação, a PMRR informou que o militar não possui condenação judicial e que participou regularmente do processo seletivo do curso, atendendo aos requisitos previstos em edital. A corporação ressaltou, no entanto, que, caso as medidas cautelares não sejam revistas pelo Judiciário, o policial não frequentará o curso por incompatibilidade com as atividades previstas.
Em nota, a defesa afirmou que constar em portaria de convocação não caracteriza descumprimento de medida cautelar, uma vez que o curso ainda se encontra em fase interna, sem atividades externas, policiamento ostensivo ou uso de armamento.
“O policial mencionado não está em atividade operacional. Ele está em curso interno na Polícia Militar, sem estágio externo e sem utilização de armamento neste momento”, destacou Samuel Almeida.