A Aderr participou das ações por meio do Programa Estadual de Controle da Raiva de Herbívoros, oferecendo apoio técnico especializado. (Foto: Divulgação)
A Aderr participou das ações por meio do Programa Estadual de Controle da Raiva de Herbívoros, oferecendo apoio técnico especializado. (Foto: Divulgação)

A Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) está participando das ações do Projeto Saúde Única da Amazônia Brasileira, iniciativa voltada ao monitoramento e à prevenção de zoonoses na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O projeto é desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Durante uma semana, a equipe realizou a coleta de amostras biológicas de morcegos, cães e bovinos nas comunidades indígenas de Uiramutã, Monte Moriá I e Willimon, com o objetivo de analisar a circulação de agentes causadores de doenças transmissíveis entre animais e seres humanos, com destaque para a raiva humana.

As atividades incluíram a captura de morcegos e a coleta de amostras, na região da Serra do Sol. Para dar suporte às análises, foi instalado um mini laboratório na Escola Municipal Indígena Mãe Eliza, localizada na comunidade de Uiramutã.

De acordo com a coordenadora do projeto, a bióloga e professora da UFPA, Isis Abel, a pesquisa ocorre simultaneamente nos Estados do Pará, Amazonas e Roraima, levando em consideração as particularidades ambientais de cada região.

“No Pará, o estudo é realizado em áreas de mangue, no Amazonas, em áreas de floresta e em Roraima, no lavrado. Já identificamos que fatores ambientais influenciam diretamente a circulação da raiva entre animais e humanos”, explicou.

Ações Educativas

Além do trabalho de campo, o projeto promoveu ações educativas junto às comunidades indígenas. Entre elas, a exposição “Mala Museu”, que levou informações sobre a raiva, orientações para o manejo adequado de ambientes que possam servir de abrigo para morcegos e medidas preventivas em casos de contato com animais silvestres.

A Aderr participou das ações por meio do Programa Estadual de Controle da Raiva de Herbívoros, oferecendo apoio técnico especializado. A atuação foi coordenada pelo médico veterinário Joseney Maia de Lima, com a participação dos técnicos Sílvio Ligoski e Paulo Barbosa, responsáveis pela captura de morcegos hematófagos, identificação de abrigos e monitoramento sanitário no município.

“É fundamental que as comunidades estejam atentas ao comportamento dos animais e comuniquem à Aderr qualquer suspeita de raiva ou presença de abrigos de morcegos. A vigilância contínua é essencial para evitar a circulação do vírus”, ressaltou Joseney.

A atuação integrada entre a Aderr, instituições de ensino superior e comunidades locais reforça o conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental, contribuindo para a prevenção de zoonoses e a proteção da população roraimense.

As zoonoses representam um desafio significativo para a saúde pública, especialmente em regiões de alta biodiversidade como a Amazônia. Doenças como raiva, leptospirose, brucelose, tuberculose bovina, toxoplasmose e febre amarela estão entre as mais recorrentes e podem causar impactos graves à saúde humana quando não prevenidas adequadamente.