Entre as famílias, crianças e bebês viviam sem estrutura adequada no acampamento improvisado. (Foto: Wenderson Cabral)
Entre as famílias, crianças e bebês viviam sem estrutura adequada no acampamento improvisado. (Foto: Wenderson Cabral)

Após denúncias sobre as condições de vulnerabilidade em que se encontrava um grupo indígena acampado em um terreno baldio no bairro Jardim Floresta, em Boa Vista, as famílias passaram a ser retiradas do local nesta quarta-feira (28). A situação foi relatada pelo Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente de Roraima às coordenações do CAICYY e do CREDHYY.

O grupo é formado por 36 indígenas do povo E’ñepa, sendo 17 crianças, sete adolescentes e 12 adultos, em sua maioria mulheres responsáveis pelos filhos. Entre eles há bebês de apenas quatro e cinco meses, além de crianças e adolescentes que permaneceram por semanas dormindo ao relento, expostos ao sol, à chuva e à insegurança, em uma área considerada escura e perigosa do bairro, conforme relatos do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e integrante do Fórum, Paulo Thadeu Kai’kan.

Na manhã de hoje, uma equipe do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) levou o grupo para o PTRIG, onde foi realizado o cadastro das famílias. Conforme as informações repassadas, após essa etapa, os indígenas serão encaminhados de imediato ao abrigo Jardim Floresta.

(Foto: Divulgação)

Paulo Thadeu informou que a situação exigiu encaminhamento emergencial. “Essas crianças estão há semanas na rua, sem estrutura mínima. O mais importante é tirá-las desse local, porque o risco é real”, afirmou.

Após o relato inicial feito pelo Fórum, houve articulação entre a ACNUR e o MDS para viabilizar o abrigamento das famílias. De acordo com Thadeu, a definição foi de que os indígenas que não apresentarem impedimentos sejam acolhidos.

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O conselheiro explicou ainda que o grupo se autodeclara como povo E’ñepa, enquanto Panare é a denominação utilizada por não indígenas para se referir a esse povo indígena, majoritário no território da Venezuela. Ele ressaltou que os indígenas não pertencem ao povo Warao, predominante em outros abrigos da capital, e que a permanência no abrigo Jardim Floresta é considerada importante para manter vínculos culturais e familiares.