De acordo com a coordenação da unidade de AVC do HGR, a participação no estudo amplia o trabalho já realizado no hospital. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)
De acordo com a coordenação da unidade de AVC do HGR, a participação no estudo amplia o trabalho já realizado no hospital. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Pacientes atendidos no Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento (HGR) vão passar a contribuir com uma pesquisa nacional que tenta responder uma das principais lacunas no estudo do AVC isquêmico: por que parte dos casos ocorre mesmo quando os fatores de risco conhecidos estão controlados.

A unidade foi incluída no Projeto Artemis, pesquisa coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento, que reúne centros de diferentes regiões do país para analisar o papel da genética na ocorrência do Acidente Vascular Cerebral. Ao todo, 11 instituições participam da iniciativa.

De acordo com a coordenação da unidade de AVC do HGR, a participação no estudo amplia o trabalho já realizado no hospital. “Hoje a gente consegue acompanhar o paciente desde o atendimento inicial até a reabilitação. Agora damos um passo além, entrando em um estudo que pode mudar a forma como o AVC é tratado no futuro”, explicou a médica Lívia Martins.

Segundo ela, embora cerca de 60% dos fatores de risco do AVC já sejam conhecidos, ainda há uma parcela significativa sem explicação clara, o que reforça a importância da investigação genética.

O Projeto Artemis compara o material genético de pessoas que sofreram AVC com o de indivíduos sem histórico da doença. A proposta é identificar características genéticas que possam aumentar o risco e também avaliar como cada paciente responde aos medicamentos usados no tratamento, incluindo possíveis resistências.

Para o médico geneticista André Anjos da Silva, representante do projeto, a entrada de Roraima no estudo contribui para tornar os resultados mais próximos da realidade brasileira. “Quando falamos em genética, diversidade importa. Ter pacientes da Região Norte ajuda a construir um banco de dados mais representativo e confiável”, destacou.

Ao longo deste ano, equipes do HGR passarão por capacitação para atuar diretamente no projeto. Os profissionais acompanharão avaliações clínicas detalhadas, exames específicos, como os de retina, e o sequenciamento completo do genoma dos participantes.

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A expectativa é que, até o fim de 2026, cerca de 100 pacientes por região integrem o estudo. Com os primeiros resultados, o projeto deve ser ampliado, tanto em número de participantes quanto em novas abordagens de análise genética.