(Foto: Raisa Carvalho)
(Foto: Raisa Carvalho)

Os gastos dos brasileiros com viagens internacionais aumentaram quase 20% em 2025 e passaram a ter peso relevante nas contas externas do país. Dados do Banco Central mostram que as despesas com viagens ao exterior cresceram de forma consistente ao longo do ano, refletindo a retomada do turismo internacional.

Segundo o relatório, em dezembro de 2025, os brasileiros gastaram aproximadamente US$ 1,9 bilhão em viagens internacionais, valor 9,3% maior do que o registrado no mesmo mês de 2024. Na comparação anual, o avanço é ainda mais expressivo: as despesas com viagens cresceram 19,5%, consolidando uma tendência de alta que se manteve ao longo de todo o ano.

Enquanto os gastos dos brasileiros no exterior aumentaram, o movimento inverso ocorreu com os turistas estrangeiros no Brasil. Em dezembro, as despesas de visitantes de outros países no território nacional somaram US$ 688 milhões, uma queda de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa diferença ampliou o déficit da conta de viagens internacionais, que mede quanto o país gasta fora em comparação com o que recebe de turistas estrangeiros.

No acumulado de 2025, as despesas líquidas com viagens internacionais aumentaram cerca de US$1,5 bilhão em relação a 2024. Esse crescimento ajudou a pressionar a conta de serviços, que inclui também gastos com transporte, seguros, aluguel de equipamentos e serviços digitais. Mesmo com a redução do déficit total da conta de serviços no ano, que fechou em US$ 52,9 bilhões, as viagens seguiram como um dos principais fatores de desequilíbrio.

Os números do Banco Central indicam ainda que o comportamento do consumidor brasileiro está cada vez mais próximo do padrão observado antes da pandemia, quando as viagens internacionais tinham peso significativo nas despesas externas do país. O aumento da renda em determinados segmentos, a normalização dos voos internacionais e o maior acesso a meios de pagamento no exterior contribuíram para esse movimento.

Ao mesmo tempo, os dados acendem um sinal de atenção para o impacto desses gastos nas contas externas. Como o Brasil ainda recebe menos turistas estrangeiros do que envia brasileiros ao exterior, o saldo negativo da conta de viagens tende a persistir, influenciando o resultado do balanço de pagamentos.