(Foto: Raisa Carvalho)
(Foto: Raisa Carvalho)

A comunidade brasileira voltou a ocupar, em 2025, o primeiro lugar entre os imigrantes que recorrem aos programas de retorno voluntário apoiados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Portugal, impulsionada sobretudo pela inflação elevada, pela dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, pelos altos valores dos alugueis e pelos desafios de adaptação aos costumes locais.

Dados provisórios divulgados pelo organismo das Nações Unidas indicam um crescimento significativo tanto no número de inscrições quanto no total de retornos efetivamente realizados, em comparação com 2024.

De acordo com a OIM, em 2024 foram registadas 551 pessoas inscritas nos programas de retorno voluntário em Portugal. Em 2025, esse número subiu para 667, refletindo o aumento da procura por esse tipo de apoio. Os brasileiros continuam a representar, de forma destacada, o maior grupo nacional. No ano passado, 432 cidadãos do Brasil aderiram aos programas, número que aumentou para 529 em 2025.

O crescimento torna-se ainda mais evidente quando se analisam os retornos efetivamente concretizados. Em 2024, 161 pessoas de diferentes nacionalidades regressaram aos seus países de origem com apoio da OIM. Em 2025, o total chegou a 348, mais do que o dobro em relação ao ano anterior.

Entre os brasileiros, o avanço foi ainda mais expressivo. Em 2024, 149 cidadãos retornaram ao Brasil com apoio do programa. Já em 2025, esse número subiu para 289, praticamente o dobro em apenas um ano, reforçando a liderança da comunidade brasileira nos pedidos e nos retornos voluntários a partir de Portugal.

Segundo a OIM, os programas de retorno voluntário visam garantir uma alternativa segura e digna aos migrantes que optam por regressar aos seus países de origem, oferecendo apoio logístico e, em alguns casos, assistência à reintegração, num contexto marcado por crescentes desafios económicos e sociais no país de acolhimento.