
A partir do dia 11 de fevereiro, o uso de aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos passa a ser oficialmente proibido em todas as escolas públicas e privadas de Roraima, conforme a Lei Estadual nº 2.321/2026. A medida reforça a Lei Federal nº 15.100, em vigor há um ano. Educadores e especialistas já relatam um resgate imediato na atenção dos alunos e uma melhora significativa no desempenho escolar e na convivência em sala de aula.
Para a professora Lorena Dourado, com 27 anos de experiência na rede de ensino em Boa Vista, a mudança no comportamento dos estudantes foi perceptível logo no primeiro mês de controle. “Já foi possível resgatar muitas coisas, principalmente o respeito do aluno na sala de aula. A questão da atenção deles, focar no que o professor está falando, porque não tinha outra coisa para distrair”, explicou.

Apesar dos avanços, a docente destaca que ainda há resistência e tentativas de burlar a regra com aparelhos escondidos, o que exige vigilância constante e diálogo. Segundo a legislação, o uso só é permitido em duas circunstâncias, quando autorizado pelo professor para fins estritamente pedagógicos ou para alunos com deficiência que necessitem do auxílio tecnológico.
A psicopedagoga Leane Silva alerta que o excesso de telas e redes sociais é um dos principais gatilhos para crises de ansiedade entre crianças e jovens. De acordo com a profissional, o cérebro leva cerca de duas semanas para iniciar a adaptação à redução do uso e até três meses para consolidar os resultados.
“A saúde mental é algo muito importante, a gente vê jovens e crianças com muita ansiedade e problemas sérios, e a gente já sabe que é causado pelo celular e o excesso de redes”, pontuou Leane.
A eficácia da nova lei depende diretamente da parceria entre a escola e os responsáveis. Ana Zuleide, mãe da estudante Izabel Cristina, de 18 anos, reforça que os limites estabelecidos no ambiente escolar devem ser mantidos em casa. “Eu tenho uma postura de seguir os termos da escola. É importante que a escola tenha regras, mas o mais importante é que os pais cumpram essa regra”, afirmou Ana.
A própria estudante, que se prepara para o vestibular, reconhece o desafio de manter o foco diante das distrações. “Uso como auxílio, não é minha única ferramenta, mas também não é meu pior inimigo. Tem que saber usar. Só que muita gente não sabe usar, está ali pesquisando um negócio e quando vai ver, tá assistindo outra coisa”, observou Izabel.