
Enquanto a Polícia Militar tenta se acertar diante da imagem negativa que a cerca, lançando mais uma operação contra a violência urbana, uma preocupante realidade se desenha a partir da migração venezuelana em massa, que segue na fronteira norte. Em dezembro passado, uma média de 280 migrantes diariamente atravessou a fronteira. Diante dessa movimentação, uma pesquisa aponta que estão chegando mais idosos e principalmente adolescentes abaixo de 15 anos de idade.
Os dados são do Sistema do Comitê Nacional para os Refugiados (Sisconare) e do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) da Universidade de Brasília (UnB), que revelam que a migração venezuelana no Brasil tem se tornado cada vez mais um movimento feito por famílias inteiras, e não mais apenas por indivíduos.
Conforme a pesquisa, em 2025, uma em cada quatro pessoas que atravessaram as fronteiras, seja em busca de proteção ou em decorrência da crise econômica do país vizinho, tinha menos de 15 anos. O grupo de crianças e adolescentes passou de 16%, em 2017, para 25%, em 2025, segunda faixa etária mais representativa do ano.
Embora o perfil predominante continue a ser de adultos na faixa de 25 a 39 anos, passando de 40%, em 2017, para 27%, em 2025, o percentual de pessoas de 40 a 64 anos também aumentou. Em 2025, esse grupo totalizou 20% dos migrantes que chegaram ao país, pouco mais de 18 mil pessoas. O total de mulheres foi numericamente superior ao de homens, com 198 chegadas a mais.
E o que tem a ver a atuação da PM de Roraima com esses dados da imigração venezuelana? Tudo a ver, pois a realidade indica que a questão da Segurança Pública em Roraima não irá se resolver apenas com mais polícia na rua, e sim com a adoção de políticas públicas integradas que enfrentem as verdadeiras raízes dos problemas que provocam a violência urbana, incluindo aí o tráfico de drogas, ociosidade de jovens e adolescentes, falta de formação profissional, esporte e lazer, etc.
A chegada de mais crianças e adolescentes imigrantes mostra-se crucial, pois são pessoas vulneráveis que podem estar suscetíveis a esses problemas, caso as autoridades não estejam atentas ao reforço de políticas públicas para evitar famílias morando na rua, com crianças e adolescentes pedindo nos semáforos, fora da escola e assediadas pelo tráfico de drogas, que é a porta de entrada para a criminalidade.
Recentemente, autoridades policiais começaram a observar o surgimento das “tropas”, que são grupos de jovens e adolescentes que se formam nos bairros da Capital, inicialmente com o propósito de pertencimento a um grupo social, mas que estão caminhando para a reedição das antigas galeras que existiram da década de 1980 até a década 2000, que impuseram uma realidade de violência em Boa Vista.
Os fatos estão aí. A questão da Polícia Militar, que a cada onda de violência anuncia uma mega operação, já mostrou que são apenas placebos diante de uma instituição que historicamente tem servido para fins políticos com a finalidade de atender aos interesses do grupo que está no poder. Enquanto isso, as realidades vêm sendo construídas sob a omissão da maioria dos políticos, os quais estão mais interessados na próxima eleição do que em resolver as grandes questões que afligem a população e que comprometem o futuro do Estado.
*Colunista