Música pode influenciar positivamente no treino da academia (Foto: Reprodução)
Música pode influenciar positivamente no treino da academia (Foto: Reprodução)

Para muitas pessoas, colocar os fones de ouvido antes de se exercitar não é apenas uma questão de gosto musical, mas uma estratégia que ajuda a manter o foco, a motivação e até o ritmo durante a atividade física. O papel da música no desempenho esportivo tem sido cada vez mais estudado pela psicologia do esporte e pela ciência do comportamento, que mostram que uma trilha sonora adequada pode tornar o treino mais eficiente e prazeroso.

Pesquisas indicam que a música pode reduzir a percepção de esforço, aumentar a energia durante os exercícios e até melhorar o humor, o que pode levar a sessões de treino mais longas e consistentes. 

Um dos mecanismos por trás disso é o efeito que a música tem sobre o sistema nervoso: ao sincronizar batidas rítmicas com movimentos repetitivos, o corpo tende a manter um passo mais estável e resistente. Além disso, melodias animadas podem estimular a liberação de neurotransmissores como a dopamina, que está associada à sensação de prazer e motivação.

Uma análise recente da plataforma Chordify, especializada em música, mostrou que canções com tempos entre 120 e 170 batidas por minuto (BPM) tendem a apoiar melhor a continuidade e intensidade dos treinos, porque ajudam a manter o ritmo sem fadiga prematura. 

Entre as músicas recomendadas pela plataforma estão “Blinding Lights” – The Weeknd – 171 BPM, “Don’t Start Now” – Dua Lipa – 124 BPM, “Uptown Funk” – Mark Ronson ft. Bruno Mars – 164 BPM, “Hung Up” – Madonna – 126 BPM, “Mr. Brightside” – The Killers – 148 BPM, “Can’t Stop the Feeling!” – Justin Timberlake – 113 BPM e “Crazy in Love” – Beyoncé – 99 BPM.

No cenário nacional, há várias músicas com batidas estimulantes que podem ser adaptadas a diferentes fases do treino, tanto para cardio e corrida quanto para musculação ou treino funcional. Exemplos que combinam ritmo e energia, e que já são frequentemente utilizados em playlists de exercícios, incluem: “País Tropical” – Jorge Ben Jor (aproximadamente 120–130 BPM), “Eva” – Banda Eva (cerca de 125–135 BPM), “Balada Boa” – Gustavo Lima (em torno de 128 BPM) e “Olha a Explosão” – Kevinho (em torno de 130 BPM).

Saiba como montar uma playlist eficaz para treino

A chave para usar a música como aliada do exercício é considerar três elementos fundamentais: o ritmo (BPM), a energia emocional da música e a consistência do ritmo ao longo da faixa.

Ritmo (BPM): Para atividades como corrida, bike indoor ou treino funcional, músicas animadas e com ritmo (entre 120 e 150 BPM) costumam manter o corpo em movimento de forma sustentável. Já para treinos de força ou sessões de alta intensidade (HIIT), músicas mais rápidas podem ajudar a sustentar o foco e o esforço.

Energia emocional: Canções com letras positivas, batidas animadas e sonoridade vibrante tendem a elevar o humor e reduzir a percepção de cansaço. Estudos na área de psicologia do esporte mostram que músicas estimulantes podem diminuir a sensação de esforço percebido durante o exercício, fazendo com que a prática pareça menos desgastante, mesmo quando a intensidade é alta.

Consistência rítmica: Perfis musicais com um ritmo constante, sem mudanças bruscas de tempo ou pausas longas, favorecem a manutenção de um passo estável e ajudam a evitar que o corpo “quebre” o ritmo, o que pode acontecer em músicas com muitas variações.

Confira dicas práticas para usar música no treino

Uma forma prática de aproveitar os efeitos positivos da música é criar playlists específicas para cada tipo de treino. Por exemplo, uma sequência com faixas brasileiras animadas pode funcionar bem para cardio leve ou moderado; misturar ritmos nacionais com internacionais pode trazer variedade e manter o interesse; e músicas com batidas mais lentas podem ser reservadas para os momentos de aquecimento e desaquecimento.

É importante também lembrar que cada pessoa responde de forma diferente à música. Enquanto alguns se sentem energizados com batidas fortes, outros podem preferir melodias com letras inspiradoras ou arranjos instrumentais que ajudam a manter a concentração. O essencial é que a trilha sonora faça sentido para quem está se exercitando e esteja alinhada ao objetivo daquela sessão.

No fim das contas, usar música como aliada do treino não é apenas uma questão de preferência pessoal: é uma estratégia que pode tornar a atividade física mais prazerosa, mais motivadora e até mais duradoura.