
Bebidas energéticas estão por toda parte: nas prateleiras de supermercados, em festas, nas mãos de estudantes antes de provas e na rotina de quem precisa de um “gás extra” no dia a dia.
Comercializadas como formas de aumentar a energia, concentração e desempenho, esses produtos misturam estimulantes como cafeína com açúcares e outros ingredientes que prometem despertar o corpo e a mente. Mas será que tomar uma bebida energética todos os dias faz bem à saúde? Especialistas em nutrição e saúde alertam que a resposta vai além de um simples “sim” ou “não”.
Do lado positivo, as bebidas energéticas contêm substâncias como a cafeína, que é conhecida por melhorar o estado de alerta e reduzir a sensação de fadiga de forma temporária. Em situações pontuais, como em um dia longo de trabalho, uma prova ou uma atividade física mais intensa, esse efeito pode ser positivo para algumas pessoas.
Pesquisas da Escola de Saúde da Harvard indicam que a cafeína pode melhorar o foco e o desempenho em atividades que exigem atenção rápida, desde que consumida com moderação. No entanto, os riscos associados ao consumo diário são mais preocupantes. A maioria das bebidas energéticas contém níveis relativamente altos de cafeína e, muitas vezes, grandes quantidades de açúcar.
Consumir esse tipo de bebida com frequência pode levar a efeitos indesejados, como aumento dos batimentos cardíacos, pressão arterial elevada, ansiedade, irritabilidade e problemas de sono. Isso acontece porque a cafeína atua como um estimulante do sistema nervoso central e o corpo pode ficar em um estado constante de alerta, em vez de descansar adequadamente.
Um dos principais pontos de atenção dos profissionais de saúde é que o consumo regular e elevado de café e bebidas energéticas pode ficar acima do recomendado para a maioria das pessoas, cerca de 400 mg de cafeína por dia, segundo referências de nutrição, especialmente quando combinados com outras fontes de cafeína na dieta, como café, chá e refrigerantes.
Além disso, as bebidas energéticas frequentemente contêm açúcares adicionados em grandes quantidades, o que pode contribuir para ganho de peso, cáries dentárias e aumento do risco de diabetes tipo 2 quando consumidas em excesso. Algumas versões “zero açúcar” substituem o açúcar por adoçantes artificiais; embora isso reduza as calorias, ainda não há consenso sobre os efeitos a longo prazo desses substitutos quando consumidos diariamente.
Outro cuidado importante é com pessoas mais sensíveis à cafeína, como adolescentes, pessoas com ansiedade, hipertensão ou problemas cardíacos. Para esses grupos, o consumo diário de bebidas energéticas pode representar um risco maior, podendo agravar sintomas ou desencadear palpitações, tremores e insônia. Por isso, muitos especialistas recomendam que adolescentes e pessoas com condições médicas específicas evitem bebidas energéticas ou limitem seu uso de forma significativa.
Quando as bebidas energéticas são recomendadas?
De maneira geral, a maioria das orientações de saúde sugere que o consumo seja ocasional e moderado, reservado para momentos em que uma pequena dose de cafeína pode ajudar no foco ou na disposição e não como um hábito diário. Alternativas mais saudáveis para melhorar energia no cotidiano incluem higiene do sono adequada, alimentação equilibrada, hidratação regular e atividade física moderada, que ajudam o corpo a manter um ritmo natural de disposição sem depender de estimulantes.
Para quem decide consumir bebidas energéticas em ocasiões específicas, algumas orientações práticas podem reduzir os riscos: verificar o rótulo para saber a quantidade de cafeína por porção, evitar combinar com outras fontes de cafeína no mesmo dia, escolher versões com menos açúcar ou sem açúcar, e não consumi-las próximo à hora de dormir para não atrapalhar o sono.
Em resumo, bebidas energéticas podem oferecer um impulso momentâneo de energia, mas o consumo diário e contínuo não é recomendado por especialistas em saúde e nutrição, sobretudo quando há outras fontes de cafeína na dieta ou condições médicas envolvidas.