Boa Vista
Agentes da Defesa Civil realizando as ações no combate contra a mosca-da-carambola. (Foto: Fernando Teixeira)

A Defesa Civil Municipal (DCM) passou a integrar as ações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) no combate à mosca-da-carambola em Boa Vista. As equipes atuam diretamente nos bairros Jardim Equatorial e Tropical, auxiliando no acesso às residências, orientando moradores e fortalecendo o trabalho técnico de contenção da praga, considerada uma ameaça à produção de frutas no Estado.

Com agentes fardados e viaturas caracterizadas, a Defesa Civil exerce um papel estratégico na abordagem à população. Segundo o agente Waldenor de Sousa, a presença da DCM facilita o diálogo com os moradores.

“Conversamos com os proprietários, explicamos a importância da ação e garantimos que as equipes técnicas tenham autorização para entrar nos terrenos”, afirmou.

Monitoramento e controle da praga

Durante as visitas, técnicos do MAPA instalam armadilhas do tipo Jackson e McPhail em árvores hospedeiras, utilizando produtos químicos que atraem os insetos e permitem o monitoramento da mosca-da-carambola. Em áreas com maior incidência, também são utilizadas armadilhas artesanais feitas com garrafas PET e fitas adesivas amarelas.

A população é orientada a não manusear os dispositivos, já que a inspeção e a substituição das armadilhas são de responsabilidade exclusiva das equipes técnicas.

Além do monitoramento, o controle da praga inclui a coleta de frutos contaminados e a pulverização de árvores. De acordo com o servidor do MAPA, Ademar Costa da Silva, os frutos recolhidos passam por um processo rigoroso antes do descarte.

“Esses frutos são armazenados em sacos plásticos por 16 dias antes do descarte em locais apropriados, o que impede a propagação da praga”, explicou.

Moradora do bairro Jardim Equatorial, a dona de casa Iraneide Barbosa, de 74 anos, recebe os agentes pelo terceiro ano consecutivo. Ela destaca a importância da iniciativa.

“Eu tenho um pé de carambola e costumo podar. Isso ajuda a manter o quintal limpo. Acho esse trabalho muito importante, porque eles esclarecem dúvidas e a gente também ajuda a combater essa mosca e proteger a produção local”, contou.

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Iraneide agradecendo os agentes. (Foto: Fernando Teixeira)

Situação em Roraima e no Amazonas

Segundo o gerente de Defesa Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (ADERR), Guilherme Rodrigues, a presença da mosca-da-carambola no Estado é monitorada desde 2010, com ações contínuas de controle, erradicação e monitoramento.

“Nos últimos anos, quando a praga se estabeleceu em Boa Vista, o trabalho ficou mais difícil devido ao grande número de residências a serem monitoradas. A população da mosca aumentou e isso exige ações conjuntas e constantes”, explicou.

Ele ressaltou que a ocorrência da praga no Amazonas não interfere diretamente nas estratégias adotadas em Roraima.

“Cada estado executa suas ações de erradicação. Roraima colaborou inicialmente com o Amazonas, compartilhando experiência técnica, mas seguimos focados no nosso território”, disse.

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Guilheme Rodrigues em entrevista para a Folha de Boa Vista. (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

Intensificação das ações

As ações foram intensificadas no fim de 2025, com foco na coleta de frutos, principal meio de reprodução da mosca-da-carambola. A estratégia segue em execução neste ano.

“Se você reduz a oferta de alimento, automaticamente ajuda a diminuir a população da praga”, afirmou Guilherme.

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Carambola é o nome da fruta que a mosca-da-carambola mais ataca. (Foto: Fernando Teixeira)
Vitor Miguel

Acadêmico de Jornalismo.

Acadêmico de Jornalismo.