
A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta sexta-feira (23) a segunda fase da Operação Escama para investigar suposta fraude em um dos blocos de uma licitação milionária para fornecer merenda escolar à Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed).
A Folha BV apurou que o ex-deputado estadual Masamy Eda e o empresário Hemyson Eda, do ramo de venda de carros, estão entre os oito alvos de mandados de busca e apreensão.
Os agentes também cumpriram ordem para bloquear mais de R$ 45,3 milhões em bens e contas dos investigados, além de medidas cautelares como a suspensão das atividades econômicas, a interrupção de contratos públicos em andamento e o impedimento de participação em procedimentos licitatórios de empresa investigada.
“As medidas adotadas têm como objetivo aprofundar as investigações, responsabilizar os eventuais envolvidos e assegurar a recuperação de ativos, visando à efetividade da persecução penal e ao ressarcimento de possíveis prejuízos causados ao erário”, disse a PF em nota oficial publicada após a reportagem.
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A corporação apura o fornecimento de produtos em desconformidade com o previsto contratualmente, comprometendo a qualidade da alimentação destinada aos alunos da rede pública.
A Folha BV ainda apurou que, na primeira fase da operação, a PF apreendeu um celular com conversas que revelariam indícios de que Masamy e Hemyson lideravam o suposto esquema de fraude e que, de fato, são os proprietários do Atacadão Distribuidora Aliança, alvo da primeira fase. Assim, eles são suspeitos de usar o empresário Rodrigo Salsicha, também investigado, como um “laranja”.
Oficialmente, a PF informou que a análise do material apreendido apontou indícios de fraude no fornecimento de produtos como peixe e frango.
“As investigações também permitiram identificar que outros lotes do processo licitatório investigado teriam sido vencidos por três empresas supostamente vinculadas ao mesmo núcleo operacional e financeiro”, disse em nota, na qual não cita os nomes dos investigados.
O que dizem os citados
Em nota, Masamy Eda negou as irregularidades e disse atuar “rigorosamente dentro dos limites da lei”.
“A defesa do empresário Masamy Eda reitera seu total compromisso com a verdade e com o pleno esclarecimento dos fatos em apuração. Ao longo de sua trajetória, o Sr. Masamy sempre pautou sua conduta na legalidade, na ética e na responsabilidade social, princípios que continuam a nortear sua atuação.
Reafirma-se, de forma categórica, a inexistência de qualquer má-conduta relacionada aos fatos investigados. O empresário atua rigorosamente dentro dos limites da lei, com transparência, eficiência e seriedade.
Por fim, a defesa destaca sua confiança nas instituições e no devido processo legal, reiterando o respeito incondicional ao Estado Democrático de Direito.
Jhonatan Rodrigues – Advogado”.
Já Hemyson Eda enviou nota de esclarecimento na qual disse colaborar com as investigações e que espera o reconhecimento da regularidade de seus serviços.
”O empresário sempre pautou sua atuação profissional pelo cumprimento da lei, pela responsabilidade social e pelo respeito às instituições públicas.
Ao longo de sua trajetória, manteve contratos regulares, gerou empregos e atuou de forma transparente em todas as atividades desenvolvidas.
Em relação às informações divulgadas nesta sexta-feira (23), é importante esclarecer que ele não é réu, não foi denunciado e não responde a qualquer condenação, figurando apenas como investigado em procedimento ainda em fase inicial.
Conforme assegura a legislação brasileira, a investigação não implica culpa.
Desde o primeiro momento, o empresário tem colaborado com as autoridades, colocando à disposição todos os documentos e esclarecimentos necessários. A empresa investigada possui estrutura operacional compatível com os serviços contratados, incluindo fornecedores, logística e equipe técnica, estando toda a documentação à disposição das autoridades competentes.
A expectativa é de que, com o avanço das apurações, a regularidade de sua atuação seja plenamente esclarecida.”
*Em atualização