
Uma operação internacional liderada pela Interpol resultou em 198 prisões e mais de 24,5 mil abordagens em quatro países, incluindo Brasil e Guiana. A ofensiva mirou redes de garimpo ilegal e crimes associados, como contrabando, lavagem de dinheiro e exploração de pessoas.
A ação, batizada de Operação Guyana Shield, reuniu policiais e promotores do Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname. Além disso, ocorreu de forma integrada em áreas de fronteira, consideradas estratégicas para o crime organizado.

Na Guiana, três homens foram presos suspeitos de contrabandear ouro e lavar dinheiro. Com eles, a polícia apreendeu ouro não processado e cerca de 590 mil dólares guianenses em espécie, o equivalente a R$ 15 mil.
Segundo a Interpol, os suspeitos seriam integrantes de uma grande organização criminosa, com possíveis ligações com uma das principais empresas exportadoras de ouro do país.
Além disso, equipes na Guiana e no Suriname apreenderam cilindros de mercúrio avaliados em mais de 60 mil dólares. O material estava escondido dentro de painéis solares e era transportado em um ônibus.
O mercúrio é usado no garimpo ilegal para separar o ouro de outros metais. Contudo, a substância é altamente tóxica e provoca danos graves ao meio ambiente e à saúde humana.
A operação também reforçou fiscalizações em regiões remotas de fronteira. Policiais dos quatro países atuaram de forma simultânea nas margens dos rios Oiapoque e Maroni, que separam a Guiana Francesa do Brasil e do Suriname.
Durante as inspeções, agentes vistoriaram pequenos comércios usados para abastecer garimpos. Nesse processo, apreenderam medicamentos falsificados, bebidas alcoólicas e cigarros avaliados em mais de 40 mil dólares.
Além disso, as equipes recolheram bombas, tapetes de mineração, armas de fogo e equipamentos de comunicação, como celulares. Ainda assim, os agentes interceptaram um ônibus com migrantes sem documentação, incluindo menores de idade, suspeitos de exploração por trabalho infantil ou abuso sexual.
O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que a alta no preço internacional do ouro impulsionou a expansão do garimpo ilegal, tornando a atividade uma das principais fontes de receita do crime organizado na América Latina.
Segundo ele, a cooperação internacional é essencial para desarticular essas redes e reduzir os impactos ambientais em áreas sensíveis da região.
A operação ocorreu em dezembro de 2025, mas os resultados só foram divulgados nesta quinta-feira (22). Ela contou com apoio do programa europeu EL PACCTO 2.0, além da Interpol e da polícia da Holanda, no combate ao crime ambiental transnacional.