

Começamos o ano de 2026 com influência do fenômeno La Niña, em Roraima, o que tem significado o registro de chuvas atípicas que ajudam a amenizar o período de estiagem, que geralmente começa nos últimos meses do ano e se intensificam nos primeiros meses do ano seguinte. Devido a essa influência, as chuvas possibilitaram o controle de queimadas descontroladas no lavrado e incêndios florestais.
Mas os estudiosos do clima estão estimando que o La Niña que se formou no Oceano Pacífico Equatorial em 2025, o que impactou o clima em Roraima no início do verão 2025/2026, tende a enfraquecer cada vez mais até fevereiro, quando o El Niño voltará a ditar o comportamento climático já durante o inverno não só roraimense, mas também na Amazônia, com cheias mais severas dos rios devido a chuvas volumosas em muitas áreas do Norte.
Conforme os especialistas, a partir de março possivelmente o El Niño começará a influenciar o clima, com chuvas de moderadas a abundantes durante o inverno roraimense e uma forte estiagem de agosto a outubro, intensificando-se entre novembro deste ano e janeiro de 2027. Traduzindo, o fogo deverá arder a partir de agosto, com a chegada de uma seca severa, se intensificando no fim do ano até os primeiros meses do próximo ano.
Será muito provável que teremos as eleições deste ano em meio a queimadas descontroladas e incêndios, o que poderá repetir tragédias ambientais já conhecidas dos roraimenses em outros tempos, caso as autoridades ambientais e de prevenção e combate ao fogo não estejam mobilizadas. E provavelmente não estarão mobilizadas exatamente devido à campanha eleitoral, quando os governos geralmente deslocam seus efetivos para apoiar campanhas eleitorais de seus grupos políticos.
As populações dos municípios localizadas no chamado “arco do fogo”, na região Norte de Roraima, precisam estar atentas para cobrar das autoridades que a Defesa Civil de suas cidades e as brigadas de incêndios estejam treinadas, equipadas e em alerta para evitar as grandes tragédias que costumam ocorrer diante do pouco caso que as autoridades fazem em períodos de forte seca. E também que fiquem atentas no período eleitoral sobre o comportamento dos políticos e candidatos em relação a essas tragédias ambientais.
Até aqui, quem segurou o fogo no Estado foram as chuvas atípicas que têm caído desde o início do período do verão roraimense. Ainda assim, a qualquer período mais logo de estiagem, as queimadas ficam visíveis ao longo das rodovias federais e estaduais. Que a população fique atenta desde já para as estimativas de uma forte estiagem esse ano que deverá acometer Roraima durante o período eleitoral.
Se as previsões climáticas se confirmarem, teremos forte estiagem, com o fogo ardendo nos lavrados e matas, enquanto as eleições também estarão incendiadas por fortes embates, conforme é possível observar nesse período de pré-campanha que começou cedo, ainda no ano passado.
*Colunista