Entre os exames essenciais está o rastreio do câncer do colo do útero. (Foto: Divulgação)
Entre os exames essenciais está o rastreio do câncer do colo do útero. (Foto: Divulgação)

Com a chegada de um novo ano, organizar a agenda de exames de rotina pode ser decisivo para manter a saúde em dia. Entre as mulheres, alguns exames preventivos são considerados fundamentais para identificar alterações ainda em fase inicial, principalmente nos casos de câncer de mama e de colo do útero, que seguem entre os mais frequentes no Brasil.

O câncer de mama é o tipo mais comum e o que mais mata mulheres no país. Já o câncer do colo do útero ocupa a terceira posição em incidência nacional e tem impacto ainda maior na Região Norte. Segundo especialistas, o rastreio regular amplia significativamente as chances de diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

De acordo com o médico de Família e Comunidade Israel Reis, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, manter os exames atualizados é uma das principais estratégias de prevenção. “No câncer, o tempo faz toda a diferença. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura e de tratamentos menos agressivos”, explicou.

Entre os exames essenciais está o rastreio do câncer do colo do útero. O exame preventivo tradicional, conhecido como Papanicolau, continua sendo ofertado pelo Sistema Único de Saúde. Paralelamente, um teste molecular mais moderno, que detecta o DNA do HPV, vírus responsável pela maioria dos casos da doença, já está disponível na rede privada e começa a ser incorporado gradualmente aos serviços públicos.

A recomendação é que mulheres que já iniciaram a vida sexual realizem o rastreio a partir dos 25 anos, conforme a disponibilidade do método no SUS. Além disso, a vacinação contra o HPV segue como uma das formas mais eficazes de prevenção, sendo oferecida gratuitamente para adolescentes de 9 a 14 anos, com possibilidade de imunização em outras faixas etárias na rede privada.

Outra atualização importante envolve o câncer de mama. A mamografia de rastreio passou a ser ofertada pelo SUS a partir dos 40 anos, ampliando o acesso ao exame. Antes, a indicação começava aos 50. “Essa antecipação é fundamental, principalmente para mulheres com histórico familiar, que podem precisar iniciar o acompanhamento ainda mais cedo”, ressaltou o professor.

Em casos de parentes de primeiro grau com histórico da doença, como mãe ou irmãs, a avaliação médica individualizada define a melhor idade para iniciar o rastreio. O acompanhamento contínuo permite ajustar os cuidados conforme cada fase da vida.

Além dos exames, hábitos saudáveis também fazem parte da prevenção. Atividade física regular, alimentação equilibrada e a redução do consumo de álcool e tabaco contribuem diretamente para a saúde feminina. “Cuidar do corpo e da saúde mental é um investimento que reflete ao longo de toda a vida”, destacou Israel Reis.

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Em regiões onde o acesso aos serviços de saúde pode ser mais difícil, o planejamento antecipado é ainda mais importante. Procurar a Unidade Básica de Saúde, manter consultas em dia e participar de campanhas públicas de rastreio ajudam a transformar o início do ano em um compromisso real com o autocuidado.

“Colocar a saúde como prioridade no planejamento anual é uma atitude simples, mas que pode salvar vidas”, concluiu o médico.