Que estamos navegando na onda das incertezas, da vulnerabilidade, ninguém duvida. E como sair dessa furada? Depende de cada um. O salva-vidas está aí, na sua capacidade de remar contra a maré, e não naufragar. Eu adoro a música clássica. E ontem à noite eu estava assistindo a um programa de música clássica, pela televisão, e de repente me lembrei de episódios que costumo citar aqui neste espaço cansativo. Você pode até achar que nada tem nada com nada. Mas tem sim. Primeiro lembrei-me do caso do maestro, de que nunca falei por aqui. Vamos lá.

Estavam no ensaio, pela manhã, quando de repente o maestro parou e falou:

– Terceiro-sax-tenor… Tocar mais baixo!

Reiniciou o ensaio, mas logo parou e quase gritou:

– Terceiro-sax-tenor… Tocar mais baixo!

Reiniciou e quando parou pela terceira vez não teve tempo de falar. Um dos músicos levantou o braço e falou:

– Mestre… O terceiro-sax-tenor ainda não chegou.

O maestro não se alterou e com muita calma falou:

– Então, quando ele chegar diga pra ele tocar mais baixo.

Não sei como você reagiria, mas eu teria dado uma risada maior do que o maestro. Mas ele deu uma lição de como podemos sair do fundo do poço sem o auxílio da corda.

Você já conhece a historinha do Cabo Sivirino. De como ele se apresentou, quando respondeu à ameaça do comandante do navio). O comandante irritado com aquela luzinha na rota do seu navio, gritou numa mensagem:

– Aqui quem fala é o comandante! Você está na minha rota! Afaste-se, senão eu mando abrir fogo!

Aí veio a resposta bem calma e profissional:

– Aqui quem fala é o cabo Sivirino. Se você não se desviar quarenta e cinco graus-noroeste, vai colidir com o farol.

O terceiro caso que me veio com a música clássica, foi a do soldado na trincheira. Era noite escura e ele estava na trincheira quando de repente, por trás dele, alguém acendeu um cigarro, e ele gritou:

– Apague esse cigarro!

O cigarro continuou aceso e ele gritou novamente. O cigarro continuou aceso e, irritado, ele gritou e virou-se para ver quem era o teimoso. Só que quando se virou, deu de cara com o General que fazia inspeção na trincheira. O soldado apavorou-se, mas o general, calmo, tocou no ombro do soldado e falou:

– Fique calmo, filho. E dê graças a Deus por eu não ser o subtenente.

A razão nem sempre está com quem está no poder. Quando você se julga o dono da cocada, baseado no posto que você ocupa, cuidado: você estará valorizando mais o seu cargo do que a você mesmo. O que é muito comum entre dirigentes incompetentes. Pense nisso.

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