
Profissionais da saúde municipal de Boa Vista realizam, nesta terça-feira (21), uma paralisação unificada para cobrar reajuste salarial, valorização profissional e o cumprimento de direitos que, segundo as categorias, vêm sendo ignorados pela atual gestão.
O movimento reúne os Sindicatos dos Trabalhadores Municipais de Boa Vista (SITRAM), Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SINTRAS), Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias (SINDACSE) e o Sindicato dos Condutores de Ambulância (SINDCONAM), que representam diversas áreas da saúde e mantém os serviços essenciais da capital.
Durante a mobilização, os atendimentos não essenciais foram suspensos em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Já os serviços hospitalares considerados essenciais, como urgência, emergência, internações e o SAMU foram mantidos por meio de revezamento entre os profissionais, conforme determina a legislação.



De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Boa Vista (SITRAM), Lucinalda Coelho, uma das principais reivindicações da categoria é o reajuste salarial, cuja data-base é janeiro, mas que, até o momento, não foi respeitada.
“Essa paralisação ela está ocorrendo devido as demandas dos trabalhadores não ter sido atendida no ano de 2025 nem 2024. Nós temos uma data-base que não é respeitada pela atual gestão. Até agora não foi oficializado nenhum reajuste. Também cobramos o descongelamento, que já está previsto em lei, mas não houve nenhum pronunciamento da gestão. A população de Boa Vista vive na segunda cesta básica mais cara do Brasil. Não tem por que não termos um salário justo, ainda mais quando o orçamento do município saiu de cerca de R$ 600 milhões para mais de R$ 3 bilhões, sem que isso chegasse ao bolso do trabalhador”, disse.
A presidente Lucinalda Coelho, informou ainda que os representantes das categorias foram recebidos pelo chefe de gabinete, porém não chegaram a nenhum acordo. Segundo ela, uma devolutiva foi agendada para a próxima terça-feira (27), para verificar quando o prefeito, Arthur Henrique, poderá atender o movimento grevista.
“Nesse momento, a paralisação vai continuar até 19h da noite. Vamos continuar com a paralisação devido o não acordo de ter apenas uma meia falta e abonar essa falta. Os quatro presidentes dos sindicatos foram atendidos pelo a procuradora, pelo secretário de comunicação e pelo chefe de gabinete. Ficou agendado para na terça-feira dar uma devolutiva de quando o prefeito pode atender o movimento grevista”, relatou.

Maceli Carvalho, presidente SINTRAS, afirmou que não houve avanço nas negociações, criticou a proposta apresentada aos representantes das categorias durante a recepção e informou que dia 4, terá uma nova assembléia para propor paralisação geral.
“Infelizmente não foi deliberado nada. A proposta que eles fizeram lá dentro pra gente é, no mínimo indecente, é que a gente retorne às atividades. Quem é do período da tarde não iria receber a falta. Agora à tarde nós vamos fazer uma carreata até o Santo Antônio para que a população entenda e veja a seriedade desse movimento de como a prefeitura vem tratando os servidores municipais da saúde. Dia 4, a gente vai fazer a assembleia para deliberar uma paralisação geral, tendo em vista que até o momento não temos nenhuma pauta resolvida e nenhuma prévia de agenda com o prefeito”.
A presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias de Roraima (SINDACSE), Thaís Santos, explicou que a categoria cobra a regulamentação de direitos que ficaram pendentes após a criação do Plano de Cargos e Remuneração (PCR) e a retomada de gratificações que foram retiradas.
“Nós estamos atrás da regulamentação do IFA e do enquadramento dos servidores. Tivemos um PCR recentemente, mas, por impacto financeiro, o enquadramento não entrou. Quem entrou em 2008, por exemplo, não está recebendo conforme o ano de ingresso. Ano passado nós conseguimos avançar na gratificação da APS, mas outro direito foi retirado da gente, que é o PSS. A gente quer o retorno dessa gratificação, que também faz parte da nossa renda”, relatou.

Para José da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SINTRAS), a paralisação também busca o diálogo com a gestão municipal, avanço no piso salarial dos profissionais de enfermagem e infraestrutura adequada para a população.
“A primeira coisa que a gente cobra é diálogo. A prefeitura não abre para conversar com os sindicatos, e a gente está cansado de reivindicar algo que já é nosso. O piso salarial acontece em nível nacional, mas aqui a gente recebe apenas o proporcional. Não é justo. Também queremos um PCCS que dê direitos, não que retire, além de infraestrutura adequada para atender a população”, ressaltou.

Já o presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância (SINDCONAM), José Carlos Silva, afirmou que a categoria aderiu ao movimento após anos sem respostas da prefeitura e criticou a redução de escalas no Hospital da Criança Santo Antônio.
“Há mais de dois ou três anos nós apresentamos propostas na mesa do SUS e não temos retorno. O SAMU precisa de uma gratificação por desgaste físico e mental, a GDFM, além do reajuste do auxílio-alimentação, que está congelado há quatro anos, mesmo a lei prevendo reajuste. Não existe hora nem local para precisar de uma ambulância. A gestão diz que não há demanda no período noturno, mas os relatórios mostram várias ocorrências à noite. Queremos o retorno imediato da escala noturna e o preenchimento das vagas, já que o município tem déficit de condutores”, afirmou.

O que diz a Secretaria Municipal de Saúde?
A reportagem procurou a Secretaria de Saúde, que se manifestou por meio da seguinte nota:
A Prefeitura de Boa Vista reafirma seu compromisso com o diálogo institucional e com a construção de soluções que atendam aos servidores e à população, sempre respeitando os limites legais e orçamentários. Destaca que o prazo para aplicação de revisões salariais é março deste ano. Até lá, terá todas as demandas prontamente analisadas, com a mesma seriedade que a gestão trabalha.
Reforça que vem adotando medidas voltadas à melhoria contínua das condições de trabalho, à garantia do pagamento dos benefícios previstos em lei e ao fortalecimento da transparência nos processos administrativos, incluindo as gratificações.
Ressalta ainda, que a maior parte dos serviços de saúde seguem funcionando normalmente na capital.

