O padeiro Araribóia Castelo de Souza Branco, tem 85 anos e mais de 50 na profissão (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)
O padeiro Araribóia Castelo de Souza Branco, tem 85 anos e mais de 50 na profissão (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

O pão caseiro conhecido como pão Araribóia, tradicional em Boa Vista, passou a integrar oficialmente o patrimônio cultural do município. A medida foi estabelecida pela Lei nº 2.800, de 13 de janeiro de 2026, publicada no Diário Oficial do Município, que declara o produto como Patrimônio Cultural Imaterial de Boa Vista.

De iniciativa do Poder Legislativo, a lei reconhece o valor cultural do pão produzido de forma artesanal há décadas na capital e determina que o Poder Executivo Municipal realize o registro do bem nos órgãos competentes e em livros próprios.

Conheça a história de Araribóia, padeiro há mais de 50 anos em Boa Vista

Em entrevista à Folha em 2022, o padeiro Araribóia Castelo de Souza Branco contou que construiu sua trajetória profissional a partir do trabalho manual e do modo tradicional de produção. Com mais de 50 anos dedicados à panificação, ele mantém o processo caseiro do início ao fim, preparando a massa, sovando e assando o pão em forno a lenha.

Antes de se tornar padeiro, Araribóia trabalhou como pedreiro e participou da construção da Catedral Cristo Redentor, no fim da década de 1960. Foi nesse período que conheceu um padeiro português, responsável por lhe ensinar os métodos e técnicas do pão caseiro, aprendizado que mudaria o rumo de sua vida.

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No início da atividade, a produção enfrentou dificuldades, como a necessidade de trazer trigo de Manaus e manter estoques. Com o passar dos anos e o crescimento de Boa Vista, o acesso aos insumos se tornou mais fácil, permitindo a consolidação do trabalho e a formação de uma clientela fiel.

Localizada na Avenida Benjamin Constant, nº 2639, no bairro São Vicente, em Boa Vista, a padaria foi fundada em meados de 1969, quando foi oficializada legalmente, e se tornou a principal fonte de renda da família. O negócio passou a ser administrado com o apoio da filha, Ana Rita, mantendo o caráter familiar da produção. O forno a lenha utilizado na panificação funciona com restos de madeira provenientes de construções, prática adotada como forma de reaproveitamento de material.