cirurgia maternidade
Maternidade Nossa Senhora de Nazareth (Foto: Wenderson Cabral)

Familiares da paciente G.E.B., procuraram a Folha para denunciar possível negligência médica após o bebê da gestante nascer morto no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista. O caso ocorreu nessa quinta-feira (15) e, segundo os relatos, envolve demora no atendimento, ausência de exames e informações contraditórias repassadas à família.

De acordo com os familiares, a paciente deu entrada na maternidade durante a madrugada de quinta-feira (15), com fortes dores e contrações. No primeiro atendimento, ela apresentava 2 centímetros de dilatação e, conforme o relato, chegou a ser orientada a retornar para casa. Diante da intensificação das dores, a gestante decidiu permanecer nas proximidades da unidade.

Cerca de uma hora depois, a paciente voltou a ser avaliada e já apresentava 4 centímetros de dilatação. Com a progressão do trabalho de parto, ela foi internada após atingir 5 centímetros, ainda na madrugada. Segundo a família, a gestante permaneceu em trabalho de parto por várias horas.

Ainda conforme o relato, já pela manhã, houve o rompimento da bolsa, momento em que a gestante informou à equipe médica que o líquido amniótico apresentava coloração alterada, o que pode indicar sofrimento fetal. Os familiares afirmam que, mesmo diante do quadro, não foi solicitada ultrassonografia para avaliar as condições do bebê.

O parto ocorreu por volta das 11h, quando o bebê nasceu sem vida. Familiares relatam que receberam informações divergentes sobre a causa do óbito. Em um primeiro momento, teria sido informado que o cordão umbilical estava enrolado no pescoço do bebê, versão posteriormente questionada.

Abalada, a família afirma que a gestante realizava acompanhamento pré-natal regular e cobra esclarecimentos sobre a conduta médica adotada durante o atendimento. Eles também alegam que uma intervenção de emergência, como uma cesariana, poderia ter evitado o desfecho.

O que diz a Sesau

Em nota, a Secretaria de Saúde de Roraima (Sesau) lamentou o ocorrido e informou que a Comissão de Investigação de Óbito do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth vai apurar a situação.

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Segundo a pasta, a paciente foi internada na madrugada de quinta-feira (15), com queixa de dor e dilatação inicial de 2 centímetros. Durante o atendimento, teriam sido observados os batimentos cardíacos fetais, considerados estáveis, assim como os sinais vitais maternos, dentro do padrão obstétrico.

A Sesau informou ainda que a paciente foi internada ao atingir 5 centímetros de dilatação, fase caracterizada como trabalho de parto inicial. Ao nascer, o bebê teria aspirado mecônio, substância viscosa que pode causar graves complicações respiratórias e levar ao óbito.

De acordo com a secretaria, a equipe multiprofissional realizou todas as tentativas de reanimação do recém-nascido, porém sem sucesso.