Estamos em um sábado, dia desejado por todos. Uma redinha, uma praiazinha gostosa e tanto mais. Dia de preguiça. Mas, não é tanto assim. O mundo gira e nos deixa tontos, a ponto de não entendermos o ocorrido. Tem tantas coisas simples que devemos lhes dar mais importância, e não estamos nem aí. Quando, na verdade, não temos nada de pelo menos engraçado para nos lembrarmos no futuro. Faz algumas décadas que falei pra você, do dia em que chutei a lata. Eu era ainda criança já caminhando para a adolescência. E minha mãe, não sei por que, falava pro meu pai que eu era comunista. E isso só porque eu era uma criança travessa. E ela achava que criança que não ia à missa era comunista. E naquele dia, faleceu o pai de um dos meus amiguinhos. Prepare-me para o velório. E, naquela época, independentemente da idade, você só deveria ir ao velório, de paletó e gravata. Aí me preparei e fiquei bonitinho. Porque naquela época eu não era tão feinho como sou agora, já quando velhinho. E com hábitos que a dona Salete não entendeu até agora: detesto ir para um evento, acompanhado.
Vesti-me, pus a gravata e saí para o velório do pai do meu amiguinho. E foi aí que a giripoca piou. Lá na frente encontrei uma latinha, dessas de tinta, na margem do caminho. Aí não resisti. Preparei-me, avancei e chutei a lata. Só que ela nem se mexeu. E você nem imagina a dor terrível que me derrubou. Foi como se eu tivesse quebrado meu pé. E depois descobri que a lata estava cheia de cimento. Era muito peso para voar com um chute de um garoto. Voltei para casa, arrastando a perna, como se não pudesse mais a movimentar. Fui bem cuidado, mas você nem imagina a bronca que levei de minha mãe, agora sim, achando que eu era mesmo comunista. Porque para ela, só um comunista poderia chutar uma lata cheia de cimento. Um momento triste, mas simples que nunca consegui nem irei conseguir esquecer, na minha vida. Não consigo conter o riso sempre que me lembro do episódio.
Preste mais atenção a coisas e acontecimentos simples no seu sábado de hoje. Mesmo que eles lhe pareçam insignificantes ou desagradáveis, mantenha-os na memória, desde que eles tenham vindo de suas ações ingenuamente precipitadas. E não se iluda porque isso lhe acontece diariamente. Os que erram mais aprendem mais, mas sem perceberem que estão errando e aprendendo com os erros. Procure sempre a felicidade que está dentro de você mesmo, ou mesma. Porque é aí que ela está, e à sua disposição. Pense nisso.
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