Jejum intermitente pode ter benefícios para a saúde, mas não é recomendado para todos (Foto: Reprodução)
Jejum intermitente pode ter benefícios para a saúde, mas não é recomendado para todos (Foto: Reprodução)

O jejum intermitente vem ganhando cada vez mais atenção entre pessoas interessadas em perder peso, melhorar a saúde metabólica ou adotar hábitos alimentares diferenciados. Ao contrário de dietas tradicionais que especificam o que comer, essa prática define quando comer, alternando períodos de alimentação com períodos sem ingestão de calorias.

A ideia por trás do jejum intermitente não é nova: regimes de alimentação restrita por tempo existem em várias tradições culturais e religiosas há séculos. Nos últimos anos, porém, a abordagem ganhou popularidade em contextos de bem-estar e saúde, apoiada por estudos que analisam seus efeitos no corpo humano.

De modo geral, o jejum intermitente pode ser feito de diferentes maneiras como períodos de jejum de 14 a 18 horas por dia (incluindo o período de sono) ou modelos em que se jejuam dias alternados.

Saiba quais os benefícios e alertas para quem adota o jejum intermitente

Pesquisas disponíveis sugerem que o jejum intermitente pode oferecer alguns benefícios à saúde quando bem aplicado. Entre eles a melhora no controle da glicose e sensibilidade à insulina, o que pode ser útil para prevenir ou reduzir riscos associados ao diabetes tipo 2; possível redução de marcadores inflamatórios, que estão associados a várias doenças crônicas;  e perda de peso e redução de gordura corporal, principalmente quando o período sem ingestão de alimentos acaba reduzindo o consumo total de calorias sem contar rigorosamente calorias.

Esses efeitos são observados em estudos com adultos saudáveis e variam de acordo com o padrão de jejum escolhido e o estilo de vida da pessoa. Especialistas também destacam que essa abordagem pode ser mais simples de seguir para algumas pessoas do que estratégias que exigem cálculo detalhado de calorias ou macronutrientes, já que a restrição é baseada em horários, não em quantidades específicas de alimentos.

Apesar dos potenciais efeitos positivos, profissionais de saúde alertam que o jejum intermitente não é indicado para todo mundo. Conforme orientações médicas, ele pode causar tontura, fraqueza, dores de cabeça ou mudanças de humor, especialmente nos primeiros dias de adaptação, e pode ser contraproducente sem acompanhamento adequado.

Alguns grupos são especificamente desaconselhados a adotar o jejum intermitente sem supervisão médica ou mesmo a evitá-lo, incluindo: pessoas com histórico de transtornos alimentares, mulheres grávidas ou amamentando, pessoas com diabetes ou outras condições metabólicas, quem tem baixo peso ou outras condições clínicas complexas.

Pesquisas também levantam preocupações sobre abordagens extremas de jejum, como janelas muito curtas de alimentação, que podem levar a riscos cardiovasculares ou desequilíbrios metabólicos se não forem planejadas com cuidado.

Entenda o que recomenda a comunidade médica

Profissionais de saúde de Harvard e instituições de pesquisa concordam que o jejum intermitente pode ser uma ferramenta útil para algumas pessoas, mas não é uma solução universal nem necessariamente melhor do que outros padrões alimentares saudáveis. É importante lembrar que os benefícios observados muitas vezes se relacionam à redução geral de calorias e melhoria dos hábitos alimentares, e não apenas ao período de jejum em si.

Médicos e nutricionistas recomendam que, antes de iniciar qualquer forma de jejum intermitente, seja feita uma conversa com um profissional de saúde, que poderá avaliar o histórico clínico, o estilo de vida e os objetivos de cada pessoa, além de orientar sobre a melhor forma de aplicar a prática sem comprometer a nutrição ou a qualidade de vida.

No fim das contas, o jejum intermitente é uma estratégia que pode trazer benefícios para algumas pessoas quando adotada com responsabilidade e orientação profissional, mas, como qualquer mudança alimentar, deve ser pensada com cuidado e personalizada conforme a necessidade de cada indivíduo.