Diretora do Departamento de Políticas de Saúde Mental da Sesau, Sofia Salomão (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)
Diretora do Departamento de Políticas de Saúde Mental da Sesau, Sofia Salomão (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

O mês de janeiro é dedicado à promoção da saúde mental e emocional, e em Roraima, dados de 2025 consolidam um crescimento expressivo na busca por suporte emocional. Ao longo do último ano, a rede municipal de Boa Vista e as unidades estaduais realizaram, juntas, mais de 43 mil atendimentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais.

O cenário em Roraima reflete a situação global. Segundo relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicados em setembro de 2025, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental em todo o mundo, o que equivale a uma em cada sete pessoas.

Além disso, a OMS alerta que quase metade de todos os transtornos mentais começa antes dos 18 anos, reforçando a necessidade de atenção especial a crianças e adolescentes.

Atendimentos em Roraima

Na rede municipal, os atendimentos somaram 24.833 ao longo do ano. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), os diagnósticos mais frequentes incluem autismo infantil, ansiedade generalizada, TDAH e episódios depressivos graves.

Já o governo estadual registrou mais de 10,8 mil atendimentos na Policlínica Coronel Mota e cerca de 7,4 mil nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Para a diretora do Departamento de Políticas de Saúde Mental da Sesau, Sofia Salomão, esse aumento reflete dois lados de uma mesma moeda.

Existe um aumento pelo sofrimento real, causado por questões de emprego e pressões sociais, mas também há mais informação. Hoje as pessoas sabem que precisam se cuidar e buscam ajuda mais cedo“, avalia.

Onde buscar ajuda?

A principal dúvida de quem sente a necessidade de suporte psicológico é por onde começar.

  1. Casos leves e moderados: A orientação é procurar primeiro a Unidade Básica de Saúde (UBS). O médico ou enfermeiro fará a avaliação inicial. O Ministério da Saúde prioriza esse atendimento perto de casa para que o acompanhamento seja integral.
  2. Casos graves e persistentes: Quando o sofrimento impede a pessoa de trabalhar, estudar ou cuidar de si mesma, o destino é o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), que oferecem atendimento especializado com equipes multidisciplinares e são organizados por faixa etária e demandas específicas.
  3. Urgência e emergência: Em situações onde há risco imediato para o paciente ou terceiros, a ajuda deve ser buscada em unidades hospitalares de emergência.

Os CAPS funcionam no modelo de “porta aberta”, permitindo que o cidadão busque ajuda direta em casos de maior gravidade, embora o início via UBS seja o mais indicado para um cuidado integral.

Em Roraima, o cuidado especializado é dividido em três frentes principais:

  • CAPS III (Estadual): Atendimento para transtornos mentais graves.
  • CAPS II (Municipal): Suporte especializado na rede de Boa Vista.
  • CAPS AD III (Estadual): Voltado especificamente para o cuidado relacionado ao uso de álcool e outras drogas.

Diferente da campanha de setembro, focada na prevenção do suicídio, o Janeiro Branco busca incentivar o “cuidado preventivo”.

“É o momento de falar do cuidado consigo mesmo para evitar chegar ao limite. É olhar para a saúde mental como algo que precisa de atenção o ano inteiro”, destaca Sofia Salomão.

Infográfico: Folha BV