
Apontado por investigações policiais como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) com atuação em Roraima, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, é o namorado da delegada de São Paulo, Layla Lima Ayub, presa nesta sexta-feira, 16, durante a Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Gaeco.
Jardel é citado em investigações como ligado a atividades de tráfico de drogas e armas em Roraima, estado que, por sua condição de fronteira internacional, tem sido alvo de expansão do PCC. A ligação direta com uma delegada recém-empossada da Polícia Civil paulista é considerada, pelas autoridades, um indício da tentativa de infiltração da facção em estruturas institucionais.
Histórico criminal e passagens pelo sistema prisional
Conforme consta em sua ficha criminal, Jardel já cumpriu pena e teve acesso a benefícios legais, como saídas temporárias autorizadas pela Vara de Execuções Penais.
Em outubro de 2023, Jardel não retornou de uma saída temporária, descumprindo decisão judicial. Diante da ausência, ele foi declarado foragido do sistema prisional, com comunicação formal à Justiça e aos órgãos de segurança. Posteriormente, passou a ter mandado de prisão ativo e foi recolhido a uma unidade prisional em Marabá (PA), onde permanece custodiado, segundo os registros.
Atuação atribuída em Roraima
Relatórios policiais e reportagens nacionais apontam Jardel como nome ligado à estrutura do PCC na região Norte, com atuação atribuída a Roraima, especialmente em crimes relacionados ao tráfico de drogas e armas. A atuação da facção no estado tem sido motivo de preocupação constante das autoridades locais, devido à utilização do território como corredor logístico para abastecimento de outros estados.
Investigadores destacam que o avanço do PCC em Roraima segue um padrão já observado em outras regiões: ocupação de rotas estratégicas, conexão com outros estados e tentativa de blindagem por meio de relações pessoais e institucionais.
Prisão da delegada e relação pessoal
A ligação entre Jardel e a delegada Layla Lima Ayub é considerada peça-chave da investigação.
Segundo as investigações, ela mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes do PCC e teria atuado de forma irregular em audiências de custódia em benefício de presos ligados à facção, mesmo após sua posse como delegada, em dezembro de 2025.
A Justiça decretou a prisão temporária do casal, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará. Também são apurados indícios de lavagem de dinheiro e organização criminosa.