
O fluxo de migrantes e refugiados na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em Roraima, registrou queda superior a 50% nos primeiros 13 dias de 2026. O dado consta no monitoramento da Operação Acolhida e indica uma redução contínua na entrada de venezuelanos pelo município de Pacaraima.
De acordo com os números oficiais, foram contabilizadas 1.014 entradas em 2026, contra 2.121 no mesmo período de 2025 e 2.161 em 2024. O cenário foi apresentado nessa quarta-feira (14) ao ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, durante agenda em Boa Vista.
Na capital, o ministro visitou o Posto de Triagem (PTRIG) e os abrigos Rondon 1 e Tuaronoko, onde se reuniu com representantes das instituições que integram a resposta humanitária. Segundo ele, apesar do aumento das tensões internacionais envolvendo a Venezuela, a situação na fronteira permanece estável. “O cenário é de normalidade, tanto no fluxo migratório da Venezuela para o Brasil quanto do Brasil para a Venezuela”, avaliou.
O coordenador de operações da estratégia, general Santos, também classificou o momento como tranquilo. Ele destacou que o volume atual é inferior ao registrado no início de 2025. “Monitoramos o fluxo diariamente. Na terça-feira, por exemplo, entraram 203 migrantes, abaixo do que vinha ocorrendo em novembro”, afirmou.
Mesmo com o agravamento das tensões geopolíticas nas últimas semanas, um plano estratégico elaborado pela Operação Acolhida não precisou ser acionado. “Não houve necessidade de ativar o plano de contingência. Tudo segue dentro da normalidade”, disse o general. Atualmente, cerca de 5 mil pessoas estão abrigadas em Pacaraima e Boa Vista, número bem abaixo do pico de 12 mil registrado em anos anteriores.
Em Boa Vista, os três abrigos indígenas têm cerca de 30% de vagas disponíveis. Nos abrigos destinados a não indígenas, a disponibilidade chega a quase 38% na capital e a 65% em Pacaraima. Segundo o ministro, a estrutura está preparada para responder rapidamente a eventuais aumentos sazonais do fluxo migratório. “A experiência acumulada permite ativar o plano em qualquer área, como saúde, abrigamento e proteção social, de forma integrada entre União, estado e municípios”, explicou.
Fluxo migratório Brasil-Venezuela
Dados da Polícia Federal mostram que, entre 2018 e dezembro de 2025, cerca de 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil. Desse total, mais de 654 mil deixaram o país posteriormente, enquanto aproximadamente 743 mil permanecem em território brasileiro.
Ao acompanhar o trabalho de entidades da sociedade civil, profissionais do Sistema Único de Assistência Social, agências internacionais e forças de segurança, Wellington Dias agradeceu a atuação conjunta e reforçou a defesa dos direitos de migrantes e refugiados. “O Brasil mantém uma política diplomática de paz e de boas relações com os países vizinhos, sempre com foco na proteção das pessoas em situação de vulnerabilidade”, concluiu.
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Como atua a Operação Acolhida
A Operação Acolhida é uma resposta humanitária coordenada pelo Governo Federal, com apoio de agências internacionais e organizações da sociedade civil. A estratégia atua em três eixos principais:
- Ordenamento da fronteira: recepção, identificação, triagem, regularização migratória, vacinação, atendimento de saúde e garantia da ordem e da proteção.
- Abrigamento: oferta de alojamentos temporários, alimentação, itens básicos, acesso a água e saneamento, proteção social e atendimento especializado a grupos vulneráveis.
- Interiorização e integração socioeconômica: realocação voluntária e gratuita para outros municípios brasileiros, ampliando oportunidades de acesso a trabalho, educação e serviços, e reduzindo a pressão sobre Roraima.