Helena Lima*
Fim de ano é tempo de festa, mas também de pensar no que fizemos e no que ainda precisamos melhorar. Em 2025, o país cresceu menos de 2%; mesmo assim, uma das forças que segurou o Brasil foi a de quem trabalha no campo. A agricultura familiar, responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam ao prato dos brasileiros, mantém a economia girando, mesmo com as barreiras do dia a dia. É esse trabalho silencioso, feito por famílias simples, que garante comida acessível e renda para milhares de comunidades em todo o país.
Diferente do agronegócio voltado para exportação, a agricultura familiar é feita por mulheres e homens que vivem na terra. Eu cresci em uma família assim e sei, desde pequena, o quanto a falta de estrutura pode afetar quem trabalha no campo. Por isso, sempre defendi que o produtor precisa de apoio contínuo, planejamento e políticas sérias.
Aqui no Norte, os desafios são nossos velhos conhecidos. Mais de 70% das estradas estão em condições ruins ou muito ruins. Isso encarece o transporte, aumenta o desperdício e reduz o lucro de quem produz. Em Roraima, muitos agricultores convivem diariamente com estradas intrafegáveis, o que encarece a produção e dificulta o acesso ao mercado.
Mesmo assim, 2025 trouxe a perspectiva de avanços importantes. Eu, fiz minha parte, e destinei toda a minha emenda de bancada, mais de R$ 35 milhões, para a pavimentação do trecho Bonfim–Normandia da BR-401, porque sei que uma estrada boa muda a vida do produtor. Essa obra também deve ajudar a integrar a região e facilitar o comércio com a Guiana. Quando a estrada melhora, a produção chega mais rápido, com menor custo e menos perdas, e todo mundo ganha com isso.
Também articulei junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) o contrato de manutenção da BR-174, sentido Pacaraima, que foi assinado, com obras em andamento. Algumas pontes que precisam de atenção urgente, como a do Rio Mucajaí, receberam soluções emergenciais enquanto os projetos definitivos são preparados. A ponte metálica sobre o Rio Cachorro, no Cantá, também será recuperada, e já existe projeto para uma ponte definitiva de concreto.
Além das estradas, a mecanização é decisiva para o pequeno produtor. Tratores, caminhões e patrulhas mecanizadas têm ajudado municípios como Boa Vista, Caracaraí, Cantá, Alto Alegre e Normandia a produzir mais e melhor. São equipamentos que economizam tempo, reduzem o esforço físico e aumentam a produtividade.
O campo também avança quando pesquisa e inovação chegam a quem produz. Projetos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), como os de caju e cacau, mostram que Roraima tem grande potencial. Mas nenhuma tecnologia funciona sem assistência técnica. O Brasil tem cerca de 10 milhões de pessoas que vivem da agricultura familiar, mas muitos produtores ainda têm dificuldade de acessar crédito, informação e mercados. Grande parte desse problema é resolvido com orientação.
Eu ando por todo esse estado e vejo que as mulheres têm papel decisivo no campo. Lideram associações, coordenam a produção e sustentam suas comunidades, muitas vezes sem receber o reconhecimento devido. Apoiar essas mulheres é fortalecer toda a cadeia produtiva.
O futuro da agricultura familiar passa por três pontos: inovação, sustentabilidade e acesso a mercados. Novos modelos de produção, certificações e vendas diretas aproximam o produtor do consumidor e aumentam a renda. E tudo isso reflete no ambiente urbano. Quando o campo funciona, a cidade se alimenta melhor e tem economia mais forte. Do mesmo jeito, a cidade depende de saúde, mobilidade e segurança para que o campo continue produzindo. É um sistema que se completa.
A agricultura familiar é parte da identidade de Roraima e do Brasil. É tradição, é trabalho e é segurança alimentar. Fortalecer essa base é essencial para garantir um desenvolvimento que chegue a todos. O Brasil só cresce de verdade quando reconhece o valor de quem produz. E quem coloca o alimento na mesa merece ser tratado como peça decisiva do futuro de Roraima e do país.
*Bióloga, Bacharel em Direito, Empresária e Deputada Federal
“As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal”