Janeiro chama atenção para a importância da saúde mental e do cuidado emocional

Janeiro é marcado nacionalmente como o mês de conscientização sobre a saúde mental, período que também simboliza recomeços e reflexões pessoais. A campanha busca alertar a população sobre os transtornos psicológicos, seus impactos sociais e a importância do cuidado emocional como forma de prevenção e qualidade de vida.

Especialistas destacam que o cuidado com a saúde mental é fundamental em todas as fases da vida. A ideia de que, por trás de cada adulto, existe uma criança que pode carregar feridas emocionais reforça a necessidade do autocuidado e da responsabilidade emocional. A reflexão proposta pelo psicanalista Sigmund Freud, “O que você vai fazer com o que fizeram de você?” segue atual ao estimular a transformação pessoal diante das experiências vividas.

Transtornos como ansiedade, depressão, transtorno bipolar, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e síndrome de burnout afetam milhões de pessoas. Entre os sintomas mais recorrentes estão insônia, palpitações, alterações de humor, formigamento e impulsividade alimentar. De acordo com especialistas, saúde mental não significa ausência de dificuldades, mas a capacidade de enfrentá-las de forma equilibrada.

O adoecimento emocional é resultado de múltiplos fatores e não ocorre de forma isolada. Aspectos biológicos, psicológicos e sociais, além do ambiente em que o indivíduo está inserido, influenciam diretamente esse processo. Historicamente, o sofrimento psíquico já foi descrito de diferentes formas. No século XIX, sentimentos como melancolia e desilusão ficaram conhecidos como o “mal do século”. Atualmente, a vida acelerada, a pressão social e o excesso de estímulos contribuem para um cenário de ansiedade e esgotamento emocional.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em 2024 e 2025, cerca de 38 pessoas morreram por dia em decorrência do suicídio, número considerado alarmante por profissionais da saúde pública.

No Brasil, informações do Mapa da Segurança Pública indicam que, em 2024, foram registradas 16.218 mortes por suicídio. Para 2025, os dados ainda estão em apuração, mas apontam tendência de manutenção em patamar elevado. Paralelamente, dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que os transtornos psicológicos lideram os afastamentos do mercado de trabalho, evidenciando o impacto direto da saúde mental na produtividade e na economia.

A neuropsicóloga Maria de Lourdes Teles explica que o equilíbrio emocional está sustentado por pilares como família, qualidade de vida, estabilidade financeira e profissional, além da saúde física e mental. Segundo ela, práticas como atividade física, socialização, participação em grupos e momentos longe das telas são essenciais para manter o bem-estar. A especialista também chama atenção para o preconceito ainda existente em relação ao cuidado psicológico e para a banalização dos sintomas, que muitas vezes só são levados a sério em situações extremas.

Buscar acompanhamento psicológico, reforçam especialistas, não significa estar doente, mas investir em autoconhecimento e prevenção. A administradora Tatiana Amori Vívian, de 37 anos, natural de Manaus (AM), faz terapia há três anos. Ela relata que decidiu procurar ajuda profissional após observar familiares passando pelo mesmo processo. Para Tatiana, o acompanhamento é fundamental para lidar com conflitos do cotidiano.

“Se puder fazer terapia, faça. Ela é essencial para o bom funcionamento da mente”, afirma.

A campanha de janeiro reforça que cuidar da saúde mental é uma atitude de prevenção, responsabilidade social e cuidado consigo mesmo.

Repórter: Brena Lorena Moura