
A migração de países vizinhos para a Guiana, na fronteira com o Brasil, cresceu 384,4% em uma década, segundo dados preliminares do Censo de 2022, divulgados pelo jornal guianense Stabroek News. O avanço é puxado principalmente pela entrada de venezuelanos, enquanto a migração brasileira também registra alta, embora em menor escala.
De acordo com o levantamento, o total de migrantes vindos da Venezuela, Brasil e Suriname saltou de 3.193 pessoas em 2012 para 15.467 em 2022. A mudança revela uma virada clara no perfil migratório do País.
A Venezuela, que era a menor origem de migrantes há dez anos, passou a liderar com folga. O número de venezuelanos residentes na Guiana subiu 1.452,64%, chegando a 12.654 pessoas, o equivalente a 81,81% de todos os migrantes vindos de países vizinhos.
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O relatório aponta que esse crescimento está ligado à instabilidade política e econômica venezuelana, que empurrou milhares de pessoas para fora do País em busca de trabalho e melhores condições de vida.
Ainda assim, as próprias autoridades guianenses alertam que os números do censo podem estar subestimados. Registros administrativos do governo indicam que 19.709 venezuelanos foram cadastrados entre 2018 e 2022.
Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que a população venezuelana na Guiana pode ter alcançado 40.545 pessoas em meados de 2024, bem acima do número recenseado.
Segundo o relatório, parte dessa diferença ocorre porque o censo não contabilizou pessoas sem contato direto com recenseadores ou migrantes sem documentos, que podem ter evitado a abordagem oficial.
Por outro lado, os dados administrativos também podem inflar os números, já que não excluem migrantes que retornaram ao País de origem, faleceram ou apenas usaram a Guiana como rota de passagem.
Além da Venezuela, o Suriname segue como a segunda maior origem de migrantes para a Guiana. O País manteve crescimento constante ao longo da década, conforme aponta o levantamento.
O Brasil, apesar de representar o menor grupo entre os três, também registrou aumento. A população brasileira residente na Guiana passou de 965 para 1.195 pessoas, um crescimento de 23,83% em dez anos. O grupo representa 7,72% dos migrantes no País vizinho.
Os dados ganham relevância especial para Roraima, já que parte desse fluxo brasileiro ocorre pela fronteira norte, sobretudo por migração ligada ao comércio, garimpo e atividades de apoio logístico.
No cenário geral, o censo mostra que a Guiana chegou a 878.674 habitantes em 2022, confirmando o maior crescimento populacional desde o pós-Segunda Guerra Mundial.
Embora o levantamento tenha sido feito em 2022, os resultados só foram divulgados em 2026, quatro anos depois. Mesmo assim, os números indicam uma transformação acelerada no País.
Em 2012, a população era de 746.955 habitantes. A taxa média de crescimento ficou em 1,64% ao ano, a mais alta já registrada no País.
Além disso, estimativas oficiais apontam que a população continuou crescendo após o censo. No fim de 2024, a Guiana já somava cerca de 956 mil habitantes, com avanço anual de 3,3% entre 2022 e 2024.