Emerson Baú - Economista e superintendente do Sebrae Roraima em entrevista ao programa Agenda da Semana. (Foto: Rádio Folha FM).
Emerson Baú - Economista e superintendente do Sebrae Roraima em entrevista ao programa Agenda da Semana. (Foto: Rádio Folha FM).

O economista e superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, avaliou que o estado reúne condições favoráveis para ampliar as oportunidades econômicas a partir de 2026, mesmo em um cenário marcado por incertezas no ambiente nacional e internacional. A análise foi feita durante entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha FM, neste domingo (11).

Segundo Baú, a principal sustentação desse cenário positivo está no mercado interno, que segue com demanda consistente. 

“Roraima tem um mercado interno forte, que continua demandando produtos e serviços, e isso cria oportunidades reais para quem quer empreender”, afirmou.

Ele destacou ainda o potencial de integração com mercados regionais e internacionais. De acordo com o economista, Manaus tem se tornado cada vez mais dependente do abastecimento proveniente de outros estados, o que abre espaço para produtores e empresários roraimenses. 

“Manaus hoje depende muito do que vem de fora, e Roraima pode ocupar parte desse espaço”, disse.

Baú também citou a Guiana como um mercado estratégico. “A Guiana está aberta a negócios e tem capacidade de comprar o que Roraima produz”, avaliou. 

Em relação à Venezuela, ele ponderou que o país pode continuar exercendo papel relevante como hub de abastecimento, a depender do alinhamento geopolítico com os Estados Unidos. 

“Dependendo desse alinhamento, a Venezuela pode continuar funcionando como um ponto importante de distribuição, principalmente na região sul do país”, explicou.

No campo microeconômico, Emerson destacou a tendência de crescimento dos serviços especializados, sobretudo aqueles voltados à personalização e ao atendimento qualificado. 

“Quando eu falo desses serviços especializados, não estou falando exclusivamente do profissional, mas de toda aquela cadeia específica que se forma em torno desse serviço”, afirmou.

Mesmo diante das incertezas econômicas, Baú avaliou que o ambiente segue favorável, especialmente para pequenos empreendimentos. “Os pequenos negócios continuam sendo os mais resilientes, principalmente nos setores de serviços e da indústria de pequeno porte”, disse.

Nesse contexto, ele ressaltou a importância da agregação de valor à produção local, citando o processamento de frutas como uma estratégia capaz de ampliar a geração de renda. 

“Hoje, produtos que são vendidos a preços muito baixos ou até desperdiçados podem se transformar em itens com alto valor comercial”, destacou.

Entre os exemplos citados, Baú mencionou iniciativas de desidratação e liofilização de frutas em Roraima, como o caso de empreendedores de São Luiz do Anauá que passaram a desidratar banana e já comercializam o produto em supermercados. 

Outro exemplo envolve o desenvolvimento de cosméticos à base do camu-camu, fruto conhecido localmente como caçari. “São iniciativas que mostram como a pesquisa e a inovação podem virar negócio”, afirmou.

Para o economista, esses casos demonstram o potencial de negócios que podem se consolidar como vertentes econômicas importantes ao longo de 2026. No agronegócio, ele destacou a expansão de serviços especializados que antes eram oferecidos apenas por empresas de fora do estado. 

“Hoje já temos empresas de Roraima prestando serviços com drones, inclusive formando mão de obra local”, observou.

Segundo Baú, a tendência é que esse movimento se intensifique, especialmente em áreas como fruticultura e grãos. “A demanda por soluções técnicas especializadas nessas culturas tende a crescer bastante”, avaliou.

Outro setor apontado como estratégico é o da saúde. De acordo com o economista, Roraima já dispõe de profissionais qualificados e pode se consolidar como referência regional. 

“Se conseguirmos estruturar melhor a rede de serviços, é possível inverter o fluxo do TFD e passar a receber pacientes de outras regiões”, disse.

Para ele, com exames e tratamentos realizados no próprio estado, o mercado interno será fortalecido. “A saúde tem tudo para se tornar um dos segmentos com maior potencial de demanda a partir de 2026”, ressaltou.

Crédito para negócios em Roraima

Ao comentar o cenário de financiamento de negócios, o superintendente do Sebrae Roraima, Emerson Baú, destacou a ampliação do acesso ao crédito no estado, impulsionada pela atuação de bancos e cooperativas financeiras. 

Segundo ele, instituições como Sicredi e Sicoob contribuíram para mudar de forma significativa o ambiente de acesso ao crédito, especialmente para pequenos e médios empresários.

“O Banco da Amazônia reestruturou toda a sua engenharia organizacional para ampliar o processo de atendimento. O crédito para o empreendedor local existe, mas é preciso entender que, quando a necessidade é imediata, esse tipo de financiamento não costuma atender, porque os trâmites são mais lentos”, afirmou Emerson Baú.

Segundo ele, o desempenho do estado na liberação de recursos é positivo. “No ranking de crédito no Brasil, Roraima ocupa a 17ª posição em liberação de recursos. Isso mostra que os bancos conseguiram operar bem, mesmo sendo um estado pequeno e com o menor PIB do país”, destacou.

Ao comentar o fato de muitas empresas que encerraram as atividades durante a pandemia não terem conseguido retomar a operação, o economista avaliou que a ideia de o Brasil ser conhecido como o país dos empreendedores é relativizada. 

Segundo ele, essa definição pode ser considerada “meia verdade ou meia mentira”, a depender do ponto de vista adotado.

“O nosso empreendedorismo é, em grande parte, por necessidade, e não por oportunidade. É possível que esses negócios não tenham reaberto porque, ao fechar um mercadinho, um salão de beleza ou outra atividade, esse empreendedor tenha passado a trabalhar para outra empresa ou se tornado funcionário de alguém. Essa é uma das hipóteses para a não reabertura dessas empresas”, explicou.