
O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, Eduardo Streicher, esteve no programa Agenda da Semana desse domingo (4), comentando sobre os possíveis cenários para Roraima após a captura de Nicolás Maduro, na madrugada de sábado (3).
Segundo ele, a possível administração americana no país vizinho cria uma “dupla esperança” para a nação venezuelana: a saída do regime ditatorial e a aplicação de uma gestão eficiente para reerguer a economia venezuelana. No entanto, esse cenário traz um desafio imediato para o empresariado local, que terá de se adaptar rapidamente para não perder espaço na reconstrução do país vizinho.
Streicher afirma que Roraima viu o comércio com a Venezuela despencar de 378 milhões de dólares em 2022 para apenas 95 milhões em 2025, perdendo espaço para produtos da China e da Turquia devido aos altos custos logísticos e à falta de combustível nas estradas.
“Isso é uma grande oportunidade para as empresas de Roraima. Retomando os níveis econômicos venezuelanos, temos que ficar bastante atentos”, afirmou Streicher,
Por outro lado, Streicher faz um alerta preocupante sobre o “êxodo inverso” da mão de obra. Atualmente, setores vitais de Roraima, como a construção civil, supermercados e postos de combustível, dependem fortemente de trabalhadores venezuelanos qualificados. Caso a Venezuela retomar seu crescimento, a tendência é que esses imigrantes retornem para suas casas e universidades, deixando um “vazio” no mercado de trabalho roraimense.
“Nós teremos um impacto na nossa economia no momento em que esses venezuelanos comecem a retornar para a Venezuela”, pontuou o especialista.
Streicher observou que a alegria dos imigrantes com a notícia é visível, mas deixa uma preocupação para o setor produtivo local: “A gente já se acostumou tanto com essas pessoas aqui. Daqui a pouco a gente vai ficar com a normalização da Venezuela, sem essa mão de obra aqui”.