Entrada da Venezuela. (Foto: Charles Bispo)
Entrada da Venezuela. (Foto: Charles Bispo)

O governo da Venezuela denunciou neste sábado (3) o que classificou como uma “gravíssima agressão militar” praticada pelos Estados Unidos contra o território venezuelano. Em comunicado oficial, o país afirmou que a ação representa uma tentativa de impor uma guerra colonial, com o objetivo de se apropriar de recursos estratégicos, especialmente o petróleo e minerais, além de ameaçar a paz e a estabilidade internacional.

Segundo o governo venezuelano, ataques atingiram áreas civis e militares em Caracas, capital do país, além dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O texto sustenta que a ofensiva viola princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, especialmente os dispositivos que tratam da soberania dos Estados e da proibição do uso da força.

“Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, à igualdade jurídica dos Estados e à proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas”, diz o comunicado.

Ainda conforme o governo, a diplomacia venezuelana deve levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, ao secretário-geral da organização, António Guterres, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e ao Movimento dos Países Não Alinhados, solicitando a condenação da ação norte-americana e a responsabilização do governo dos Estados Unidos.

O comunicado informa também que a Venezuela se reserva o direito de exercer a legítima defesa, com base no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, para proteger seu povo, território e independência. Paralelamente, o governo convocou a população e as forças políticas do país para a mobilização interna diante do cenário de tensão.

Soberania e recursos estratégicos

Na avaliação das autoridades venezuelanas, o objetivo central da ofensiva seria o controle de recursos naturais do país, sobretudo o petróleo e minerais. O governo afirma que tentativas de impor uma mudança de regime pela força não terão êxito e reforça o discurso de resistência histórica a intervenções estrangeiras.

O texto oficial também cita episódios do passado e encerra com uma mensagem de unidade nacional, acompanhada de uma referência ao ex-presidente Hugo Chávez.

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Nota oficial do governo da Venezuela – na íntegra

“A República Bolivariana da Venezuela rejeita, condena e denuncia perante a comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana nas áreas civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, particularmente dos artigos 1.º e 2.º, que consagram o respeito pela soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.

Esta agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas.

O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, particularmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar a independência política da nação pela força.

O Estado de Comoção Externa foi ativado após os bombardeios em áreas civis e militares em Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira. Isto põe em risco a vida de milhões de civis. Isto não faz distinções políticas, é hora de haver unidade nacional, acima de quaisquer diferenças ideológicas de qualquer espécie. Hoje o nosso país e a nossa identidade estão ameaçados. A sua e a minha Venezuela, e nós a defenderemos até as últimas consequências, como já fizemos antes.

Seguiremos para a luta armada, todo o povo venezuelano deve se mobilizar. Fique conectado ao nosso sinal e às fontes oficiais para evitar ansiedade e manter a calma e a paz diante dessas circunstâncias.”